A conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado pelo Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos cria um novo cenário político para a família Bolsonaro. Com o controle das duas Casas, parlamentares da oposição ao presidente Donald Trump ganham mais força para fiscalizar ações do governo e investigar a atuação de autoridades norte-americanas em casos que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.
Um grupo de 25 congressistas enviou uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio cobrando explicações sobre a entrada e a permanência de Flávio nos Estados Unidos. O Departamento de Estado tem até 13 de novembro de 2026 para responder formalmente às 15 perguntas apresentadas e disponibilizar funcionários para prestar esclarecimentos aos parlamentares.
A professora de direito internacional Elaini Silva explica que o Congresso não tem poder direto para determinar deportações, pois a política migratória é conduzida pelo Poder Executivo por meio de órgãos como o Departamento de Segurança Interna. No entanto, os democratas poderão convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações sobre possíveis desvios na aplicação da legislação migratória.
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na semana passada após deixar o Brasil pela Argentina, contrariando determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que entregasse os passaportes. No Brasil, ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O deputado federal cassado foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Antes da eleição, ele defendeu publicamente que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota nas urnas.



