Na manhã de quinta-feira (17), a O peração Vectura Corrupta, coordenada pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal, deu sequência a uma ofensiva estratégica contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo, resultando na prisão de nove dos 22 suspeitos investigados, entre os quais o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal da União Brasil, Milton Leite, e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos O liveira.
Contexto Institucional e Estrutura do Esquema Corrupto
As investigações, conduzidas com apoio da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério da Justiça, revelaram que pelo menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de passageiros em São Paulo são controladas diretamente ou indiretamente pela facção criminosa, conforme comprovado por interceptações telefônicas e análise de documentos fiscais; o esquema envolvia 'testas de ferro' — intermediários nomeados para gerir as empresas —, advogados como Cécero José dos Santos Filho e Milton Mello Milreu, e a movimentação de recursos por meio de contas bancárias vinculadas a empresários 'laranjas', como Carla de Paula Muller, conhecida como 'titia', esposa do líder do PCC Antônio José Muller Junior, o 'Granada', preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Antecedentes recentes indicam que a O peração Decurio, realizada em fevereiro de 2024, já havia apurado indícios de financiamento ilícito de campanhas municipais por parte do PCC, enquanto o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos O liveira, era apontado por militares como proprietário fático da Transwolff, empresa inclusa no rol de suspeitos; o uso sistemático de escritórios jurídicos como sedes de reuniões e contas bancárias corporativas para repasse de valores demonstra a sofisticação logística da organização criminosa.
Mais de 12 empresas ligadas ao PCC controlam parte significativa do transporte coletivo paulista, movimentando recursos via contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas fachada.
Repercussão Legal e Desdobramentos Imediatos
A Justiça Federal já decretou mandado de prisão preventiva contra Milton Leite, Levi dos Santos O liveira e mais oito investigados, com base em indícios robustos de participação em organização criminosa e lavagem de valores, conforme laudo pericial da Polícia Federal; o Ministério Público Federal informou que o caso seguirá sob investigação por possível conexão com financiamento ilícito de campanhas eleitorais municipais de 2024, previsto no artigo 35 do Código Penal.
O s próximos passos incluem a apreensão de documentos fiscais e bancários das empresas alvo, bem como a realização de audiências públicas na Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre segurança pública nos sistemas de transporte urbanos, com prazo estipulado para apreciação até 30 de junho.
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