No coração das estepes cazaques, onde o vento varre planícies infinitas e o céu se estende sem limites, a majestosa águia-das-estepes, ave símbolo nacional e ícone cultural do Cazaquistão, enfrenta seu maior desafio existencial: a electrocussão em linhas de transmissão de energia, responsável pela morte de centenas de milhares de indivíduos em três gerações, reduzindo sua população global em 50% desde 2015.
Contexto Institucional e Histórico da Espécie e do Problema
A águia-das-estepes, com envergadura que pode alcançar 2,6 metros e presença marcante na bandeira nacional e no antigo hino do Cazaquistão, é reconhecida como um reduto populacional primordial para a espécie, abrigando entre 68% e 82% da população mundial que migra da África, O riente Médio, Sudeste Asiático e Sul da Ásia para reproduzir na estepe central asiática.
Segundo relatório do Ministério da Energia e dados do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade (BRCC), cerca de 80.000 quilômetros de linhas de transmissão cruzam a estepe cazaque — número que pode chegar a 200.000 km conforme estimativas não oficiais —, com taxa letal de nove aves de rapina mortas por cada 10 quilômetros de linhas de 6 a 10 kV anualmente, configurando a electrocussão como principal causa do declínio populacional desde sua classificação como ameaçada em 2015.
Cerca de 30.000 casais reprodutores restam no mundo, colocando a águia-das-estepes em risco crítico de extinção há quase uma década.
Repercussão Técnica e Compromissos Internacionais
O plano de ação global para a espécie, elaborado pela Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) e apresentado na COP-15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) em março, classifica a redução das mortes por electrocussão e colisões com infraestrutura energética como prioridade máxima, alinhando esforços técnicos com metas de conservação transnacionais.
Especialistas apontam que soluções simples, como a instalação de isoladores de baixo custo em pontos críticos das linhas de transmissão — técnica testada com sucesso em projeto-piloto na região de Karaganda em 2013 — demonstram eficácia imediata na redução de mortality sem grandes investimentos.



