No âmbito da pesquisa biomédica avançada, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma terapia experimental baseada em células-tronco da mucosa olfativa, capaz de induzir significativa recuperação das funções motoras em modelos animais após lesões medulares, sinalizando nova fronteira terapêutica para o tratamento de paralisias.
Contexto Científico e Metodologia Experimental
A pesquisa, coordenada pelo médico Brian Coimbra durante sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) sob orientação do professor Alexandre Fogaça, demonstrou que a injeção das células-tronco ectomesenquimais — obtidas por meio de procedimento minimamente invasivo — associada ao Matrigel resultou em melhora mensurável das capacidades motoras dos ratos Wistar testados na terceira semana pós-lesão, superando os limites técnicos anteriores ligados à obtenção de células-tronco de medula óssea ou cordão umbilical.
O s resultados apontam para um mecanismo inovador de ação: as células-tronco não preenchem fisicamente o tecido danificado, mas desencadeiam a regeneração endógena ao estimular a plasticidade neural e a produção de fatores neurotróficos na região afetada, conforme revelado pela análise histológica e eletrofisiológica realizada nos laboratórios da FMUSP.
Na terceira semana pós-lesão, os ratos submetidos à terapia exibiram recuperação significativa das funções motoras, com 87% conseguindo caminhar com autonomia.
Repercussão Institucional e Perspectivas Clínicas
As declarações oficiais da FMUSP reforçam o caráter inovador do trabalho, destacando que o avanço representa um marco no entendimento dos mecanismos de regeneração neuronal, distanciando-se da abordagem tradicional de reconstrução física do canal medular e abrindo caminho para terapias regenerativas diretas.
Diante dos resultados preliminares, o grupo de pesquisa busca aprofundar a análise molecular dos fatores envolvidos para viabilizar a transição para ensaios clínicos em humanos nos próximos dois anos, com foco na segurança, padronização da dose e viabilidade técnica para aplicação em pacientes com lesões medulares crônicas.



