Segundo a Sondagem Especial sobre Condições de Acesso ao Crédito, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 16 de agosto de 2026,65,3% das indústrias que solicitaram financiamento entre fevereiro e julho do ano corrente optaram pelos bancos tradicionais como principal fonte para crédito de curto e médio prazo, valor que representa aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando o percentual era de 61%.
Diagnóstico da Captação de Crédito nas Indústrias Brasileiras
A pesquisa, baseada em consulta a 1.701 empresas do setor industrial entre 3 e 12 de agosto, revelou ainda que o capital próprio se consolidou como segundo pilar do financiamento de curto e médio prazo, respondendo por 23,6%, enquanto os bancos de desenvolvimento ocuparam terceira posição com 18,5%. Em contraste, para crédito de longo prazo acima de cinco anos, os bancos tradicionais mantiveram a liderança com 49,5%, embora tenham recuado frente aos 51% registrados em 2025, sendo superados pelos bancos de desenvolvimento (29,5%) e pelo capital próprio (23,1%), que assumiram posições inversas em relação à modalidade mais curta.
Além dos indicadores quantitativos, a sondagem evidenciou desafios estruturais no acesso ao crédito, com destaque para a persistência de discrepâncias entre o valor solicitado e o aprovado: 62,1% das empresas obtiveram integralmente o montante desejado em crédito de curto e médio prazo, enquanto 24,9% receberam valores inferiores às expectativas. No âmbito do crédito de longo prazo, os números foram semelhantes, com 61% de aprovação total e 26,4% de subfinanciamento.
O recorte por porte da pesquisa indicou maior vulnerabilidade das pequenas empresas, com 33,3% das que renovaram ou contrataram linhas de crédito de curto e médio prazo recebendo recursos inferiores ao solicitado — cifra que alcança 34,4% no caso do crédito de longo prazo. Já entre as grandes corporações, a taxa de insucesso foi inferior a 7%, sinalizando disparidades significativas na eficiência dos processos concedidos.
Quase dois terços (65,3%) das indústrias buscaram crédito entre fevereiro e julho de 2026 com bancos tradicionais como principal fonte para curto e médio prazo.
Repercussão Setorial e Desdobramentos Estruturais
As declarações da CNI reforçam a necessidade urgente de readequação das políticas creditícias para mitigar os riscos identificados no acesso desigual ao financiamento. O presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que 'a confiança nas instituições financeiras tradicionais permanece essencial para a manutenção da cadeia produtiva nacional', mas alertou para a 'necessidade imperiosa de ampliar canais alternativos de crédito', especialmente para as pequenas empresas que enfrentam maior obstáculo na aprovação de pedidos completos. O estudo ainda apontou que a manutenção das condições operacionais foi percebida por maioria absoluta das empresas no curto e médio prazo (53,9%), enquanto no longo prazo predominou a estabilidade (53,2%), indicando resiliência relativa do setor.
Diante do cenário atual, especialistas apontam para a urgência de reformas nos mecanismos de concessão creditícia. A Advocacia-Geral da União (AGU) já sinalizou monitoramento rigoroso das operações de renegociação em casos suspeitos de fraude sistêmica no setor produtivo. Paralelamente, o Banco Central deve implementar novas regras para ampliação do acesso ao crédito em condições diferenciadas para micro e pequenas empresas até dezembro de 2026.


