Nove dias antes do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar, em São Paulo, uma Medida Provisória que proíbe as apostas esportivas e os cassinos on-line no país, colocando o tema no centro da ofensiva eleitoral do senador Flávio Bolsonaro, que pretende usar a mudança de posição do governo para pressionar pela retomada da tramitação do Projeto de Lei nº 3.626/2023, regulamentado anteriormente pelo Congresso.
Contexto Legislativo e Estratégia Política da Campanha
A apuração revela que a mudança de discurso do presidente ocorre após semanas de discussão técnica dentro do governo, com o projeto de regulamentação das apostas já tendo passado pelo Senado e pela Câmara, onde a inclusão de jogos de cassino on-line foi removida em dezembro de 2023 após emenda de Carlos Portinho, líder do PL no Senado; entretanto, ao retornar à Câmara, o texto foi reintegrado, mantendo a regulamentação aprovada pelos deputados e segue em tramitação até a sanção presidencial.
A campanha de Flávio Bolsonaro busca transformar esse histórico legislativo em ferramenta retórica, questionando a coerência do governo ao defender agora o fim das bets após ter legitimado o setor no Congresso, utilizando o calendário apertado — com o anúncio da MP prevista para 25 de abril — para ampliar o debate público sobre a regulamentação versus a proibição total.
A Medida Provisória anunciada em 25 de abril visa prohibir as apostas e cassinos on-line em todo o território nacional, nove dias antes do primeiro turno das eleições.
Repercussão Institucional e Desdobramentos da Proibição
A medida provisória será submetida à análise da Casa Civil e do Ministério da Justiça, com possibilidade de veto presidencial ou edição posterior como lei ordinária, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve avaliar seu impacto no calendário eleitoral devido ao prazo curto entre o anúncio e o início das urnas.
Flávio Bolsonaro já articulou a estratégia junto ao seu partido, usando a contradição governamental para atacar Lula nas redes e comícios, enquanto juristas apontam que a MP pode enfrentar recurso direto ao Supremo Tribunal Federal (STF) por violação ao princípio da legalidade legislativa.



