A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil provocou divisões internas no Partido Liberal, com integrantes da sigla adotando posições distintas sobre o episódio e seus possíveis desdobramentos políticos.
Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, enquanto uma ala do partido foi pega de surpresa pela iniciativa, outra já a esperava de alguma forma.
De acordo com a analista, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, figura descrita como pragmática dentro do partido, teria ficado "chateado" com os acontecimentos.
A avaliação interna é de que o PL precisará se reorganizar e caminhar para um tom mais moderado, distanciando-se do radicalismo que marcou a sigla nos últimos anos com a amplitude do bolsonarismo.
Reorganização do PL e disputa pela presidência do Senado
O pragmatismo de Valdemar Costa Neto já mira um plano para 2027: tornar o partido ainda mais competitivo para conquistar a presidência do Senado Federal.
A avaliação interna é de que ainda é possível reunir apoio suficiente para viabilizar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), mesmo diante das articulações de Davi Alcolumbre (União-AP), que estaria se reorganizando para se manter na função e já contabilizaria 41 votos a seu favor.
Segundo Isabel Mega, a saída de Flávio Bolsonaro do país pode, paradoxalmente, beneficiar os senadores do PL na tentativa de atrair parlamentares do chamado Centrão.
A avaliação é de que parlamentares que poderiam caminhar com Davi Alcolumbre, mas que entendem que ele pode barrar pautas utilizadas por eles nas eleições ao Senado Federal, podem se sentir sensibilizados a votar em Rogério Marinho.
Isso porque Alcolumbre é visto pelo bolsonarismo como aliado a Alexandre de Moraes, o que, na leitura interna, inviabilizaria o encaminhamento de pedidos de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
Críticas internas e expectativas frustradas
Ainda de acordo com a apuração, parlamentares do PL fizeram críticas a Flávio Bolsonaro sob reserva, afirmando que a decisão de deixar o Brasil era "muito ruim para o partido" e muito negativa para a imagem da sigla.
A avaliação era de que seria preciso "perder com honra, não com esperneio", com Flávio ocupando uma posição de liderança da oposição ao governo Lula a partir do Brasil.
Havia, inclusive, uma expectativa de que Flávio Bolsonaro, com o fim de seu mandato de senador previsto para o final do ano, pudesse se instalar na sala anteriormente utilizada por Jair Bolsonaro na sede do PL em Brasília, assumindo o comando da oposição.
Com a fuga, esse cenário foi descartado. Valdemar Costa Neto passou a aparecer ao lado de Michelle Bolsonaro (PL), com quem tem afinidade declarada e que terá mandato pela frente, enquanto Flávio Bolsonaro não terá.
Direita busca reposicionamento
Isabel Mega destacou ainda que o restante da direita também aproveita o momento para tentar assumir as rédeas da ala ideológica que, segundo ela, "dividiu o Brasil ao meio" com o bolsonarismo, tido como extrema direita.
A avaliação é de que outros setores da direita apostam no enfraquecimento da família Bolsonaro e do bolsonarismo para retomar uma postura mais pragmática junto aos demais partidos.



