Durante sabatina transmitida pela TVC Pará na terça-feira (22), o candidato do PSOL ao Senado, Marcelino Conti, reafirmou sua defesa da titulação integral dos territórios indígenas no Pará, condenou a gestão ineficaz de hospitais públicos por O rganizações Sociais e propôs a ampliação da rede de proteção à mulher com a criação de novas Delegacias da Mulher e Casas da Mulher no interior do Estado. Ao longo da entrevista, ele vinculou a questão fundiária à justiça social, defendendo mecanismos de redistribuição das riquezas produzidas no Estado e criticando a dependência de tornozeleiras eletrônicas para a proteção das vítimas de violência doméstica. Seu posicionamento estratégico reúne demandas sociais, ambientais e jurídicas em um plano ambicioso para a região.
Diagnóstico Institucional e Crítica ao Modelo de Gestão
A entrevista ocorreu em um contexto de intensificação do debate sobre políticas públicas para o interior paraense, com o candidato apresentando um conjunto de propostas que entrelaçam saúde, educação, direitos indígenas e combate à violência contra a mulher. Ao criticar a gestão de hospitais públicos por O rganizações Sociais (O Ss), Conti apontou que o modelo atual tem demonstrado falhas na prestação de serviços essenciais, gerando desigualdades no acesso a tratamentos e medicamentos, especialmente em municípios distantes dos grandes centros urbanos. Ele destacou que a ineficiência administrativa dessas entidades compromete a qualidade dos serviços prestados à população vulnerável, exigindo uma revisão profunda dos critérios de governança e transparência.
Conti também enfatizou a necessidade de que as riquezas geradas pelo Pará – especialmente as ligadas à agropecuária, mineração e agronegócio – retornem diretamente para as comunidades locais por meio de investimentos em saúde, educação e infraestrutura social. Ele citou como exemplo a desigualdade na distribuição de verbas estaduais entre regiões metropolitanas e áreas rurais, argumentando que o modelo atual perpetua o abandono do interior. Para ele, a prioridade é construir um Estado mais equilibrado, onde o desenvolvimento econômico esteja associado à justiça social e à autonomia das populações.
Marcelino Conti defende que 100% dos territórios indígenas no Pará devem ser titulados sem aprovação do marco temporal, consolidando uma demanda histórica de povos originários.
Repercussão Política e Desafios na Implementação das Propostas
O posicionamento de Conti gerou reações imediatas entre os principais atores políticos da legenda e da sociedade civil. Enquanto membros do PSOL elogiaram a ênfase nas políticas sociais e na defesa dos direitos indígenas, representantes do governo federal e aliados tradicionais do agronegócio manifestaram preocupação com a viabilidade jurídica e financeira das propostas, sobretudo quanto à ampliação da titulação fundiária e ao fim do marco temporal. A bancada federal do Estado já sinalizou abertura para diálogo, mas ressaltou a necessidade de estudos técnicos que comprovem os impactos orçamentários dessas mudanças.
No campo da proteção às mulheres, o candidato reforçou que a efetividade das políticas depende da descentralização dos serviços especializados para o interior do Estado. Ele afirmou que casas da mulher e delegacias precisam estar estrategicamente localizadas em municípios ribeirinhos, onde o acesso ao atendimento é limitado por longas distâncias. Segundo ele, a prioridade é garantir que as mulheres tenham suas vidas preservadas por meio de medidas preventivas eficazes, indo além da simples vigilância eletrônica.



