Uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial pode provocar uma alta superior a 5% na Bolsa brasileira já na segunda-feira (26), enquanto a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a provocar uma queda de magnitude semelhante ou até maior.
Essa é a expectativa do mercado, de acordo com pesquisa do Citi com 73 investidores, divulgada nesta sexta-feira (23).
Entre os entrevistados, 49,3% esperam uma valorização superior a 5% do Ibovespa caso Flávio seja eleito. Outros 48% projetam ganhos entre 1% e 5%. Somadas, as duas respostas representam 97,3% dos participantes da pesquisa.
A reação esperada para uma vitória de Lula é bem diferente. Nesse cenário, 79,5% dos investidores projetam uma queda superior a 5% do Ibovespa. Outros 6,9% esperam perdas entre 1% e 5%.
Os resultados indicam que o mercado ainda enxerga espaço para uma reação significativa dos preços depois da eleição, apesar dos movimentos registrados durante a campanha.
Dólar e juros também devem reagir
A pesquisa mostra que a expectativa de mudança na política econômica não se limita ao mercado de ações.
Em caso de vitória de Flávio, 78,1% dos investidores esperam uma valorização do real entre 2% e 5% em relação ao dólar. Outros 9,6% projetam uma apreciação superior a 5%.
No cenário de reeleição de Lula, 62,5% dos entrevistados acreditam que o dólar subirá mais de 5% ante o real, enquanto 27,8% esperam uma alta entre 2% e 5%.
O mercado de juros futuros também deve apresentar movimentos importantes.
Para uma vitória de Flávio, 54,9% dos investidores projetam uma queda entre 0,5 e 1 ponto percentual nos juros do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029. Outros 12,7% esperam um recuo superior a 1 ponto percentual.
Se Lula vencer, 67,1% dos entrevistados esperam uma alta superior a 1 ponto percentual nos juros desse mesmo contrato. Outros 27,2% projetam elevações menores, de até 1 ponto percentual.
A reação dos juros é especialmente relevante porque esses contratos refletem, entre outros fatores, as expectativas para a trajetória da política monetária e os prêmios de risco exigidos pelos investidores.
Uma queda dos juros futuros tende a favorecer a valorização das ações, especialmente de empresas mais dependentes do mercado doméstico e sensíveis ao custo do crédito. Já uma elevação pode pressionar o preço dos ativos e encarecer o financiamento das empresas.
O que a pesquisa revela sobre o mercado
Os resultados mostram que os investidores atribuem consequências econômicas e financeiras bastante distintas aos dois possíveis governos.
A expectativa de valorização da Bolsa, fortalecimento do real e queda dos juros em caso de vitória de Flávio é compatível com a aposta de que uma mudança de governo poderia melhorar as perspectivas para a política fiscal e reduzir os prêmios de risco dos ativos brasileiros.
No cenário de Lula, a expectativa de alta do dólar e dos juros, acompanhada de queda das ações, sugere preocupação com a continuidade das pressões fiscais e com a capacidade do próximo governo de estabilizar a trajetória da dívida pública.
Há, porém, uma distinção importante: a pesquisa não mede as chances eleitorais de cada candidato, mas a reação que os investidores esperam dos mercados a cada resultado.
Também não se trata de uma projeção oficial do Citi para o Ibovespa, o câmbio ou os juros. Os números refletem as respostas dos participantes do levantamento e não representam necessariamente os movimentos que ocorrerão depois da votação.
A intensidade das reações esperadas sugere que, mesmo depois da valorização recente dos ativos brasileiros, o resultado da eleição ainda pode provocar uma reprecificação importante do mercado financeiro.



