Goiânia (GO) — Senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou em 27 de setembro, durante carreata em região nobre da capital goiana, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teria atuado em conluio com o Partido dos Trabalhadores (PT) na disseminação de publicações que acusam seu plano de retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil, fato este reforçado por declarações proferidas em ambiente de campanha eleitoral.
Contexto Institucional e Apuração da Denúncia
A apuração jornalística revelou que a denúncia de Flávio Bolsonaro, formulada sem comprovar documentos oficiais ou registros formais da CNBB, parte de uma estratégia retórica empregada por seus assessores para desgastar a imagem do PT e mobilizar eleitores conservadores, embora a instituição eclesiástica tenha negado categoricamente qualquer envolvimento em campanhas políticas ou na produção de conteúdo difamatório.
O episódio se insere em um quadro mais amplo de polarização religiosa e política no país, onde referências à Nossa Senhora Aparecida têm sido frequentemente instrumentalizadas por atores públicos, enquanto o ministro do STF Flávio Dino determinou a remoção de publicação do humorista Antonio Tabet que ridicularizava a padroeira nacional, sob pena de multa administrativa de R$ 30 mil por descumprimento da ordem judicial.
A multa administrativa imposta por decisão judicial pode chegar a R$ 30 mil por novo descumprimento da ordem de remoção de conteúdo sobre Nossa Senhora Aparecida.
Repercussão Jurídica e Estratégias Políticas
O vice-presidente do TSE, André Mendonça, colegiado com Flávio Dino no STF, acatou integralmente a decisão judicial e determinou a retirada imediata do conteúdo ofensivo da rede digital, consolidando a atuação do Judiciário na contenção de discursos considerados lesivos à ordem constitucional e à dignidade das instituições.
A decisão foi celebrada por setores conservadores que enxergam no Judiciário um mecanismo de defesa da tradição religiosa, enquanto críticos apontam para o risco de censura prévia e uso seletivo da lei para fins políticos em ano eleitoral.
A reportagem mantém aberto o pedido de posicionamento oficial da CNBB em relação à acusação de Flávio Bolsonaro, aguardando manifestação formal da entidade eclesiástica.



