Em 1970, o padre jesuíta italiano Giovanni Gallo, ao chegar à Ilha de Marajó para desenvolver projetos comunitários, estruturou um inovador modelo de geração de renda a partir da pesca artesanal das piranhas, cujo excedente financeiro foi direcionado à construção de infraestrutura pública e cultural, incluindo pontes de madeira, um cemitério e uma pista de pouso, conforme registros do Museu do Marajó (2007-2009).
Contextualização Histórico-Cultural do Projeto do Padre Gallo
O padre chegou à região em 1970, durante sua paróquia em Santa Cruz do Arari (PA), e identificou na pesca artesanal das piranhas — recolhidas mortas das redes dos pescadores locais e preparadas para comercialização — uma oportunidade para financiar o desenvolvimento socioeconômico da vila de Jenipapo, às margens do rio Arari. Por meio de um laboratório artesanal, treinou mulheres da comunidade a embalsamar o peixe, integrando produção local à cadeia exportadora, enquanto o Museu do Marajó, idealizado por Gallo em 1987 e transferido para Cachoeira do Arari em 1987, mobilizava a população para construir seu acervo com peças arqueológicas do arquipélago.
A iniciativa se inscrevia no projeto cultural 'O Nosso Museu', que visava não apenas exibir patrimônios materiais, mas estimular a participação ativa da comunidade na preservação da memória local. Ao incentivar os moradores a doverem cacos e peças marajoaras para o acervo, Gallo unia desenvolvimento econômico e identidade cultural, promovendo um modelo de museu interativo onde visitantes 'descobriam' informações por conta própria, como os 'computadores de marca caipira', objetos de madeira que integravam perguntas às comunidades.



