Em setembro de 2025, o Partido dos Trabalhadores formalizou representação ao Conselho de Ética do Senado Federal contra o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no âmbito do caso Dark Horse, após constatações de repasses superiores aos declarados pelo parlamentar para o financiamento do filme que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme evidências documentais do Coaf reveladas em setembro de 2025.
Contexto Institucional e Acusações de Irregularidade Financeira
A denúncia apresentada pela bancada petista, coordenada pelo senador Camilo Santana (CE), aponta para indícios de contradição entre as versões do senador sobre o valor total recebido por Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e os registros oficiais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram repasse de US$ 1,6 milhão em 16 de setembro de 2025, valor superior ao admitido por Flávio Bolsonaro, que afirmou ter ocorrido último pagamento em maio de 2025. A revista Piauí destacou, com base em documentos obtidos por meios jornalísticos, a existência de movimentações financeiras não declaradas no âmbito da campanha eleitoral, enquanto o Coaf confirmou a operação milionária como parte de apuração em andamento.
Nos últimos sete anos, o Conselho de Ética do Senado Federal realizou apenas cinco sessões ordinárias ou extraordinárias, com a última ocorrendo em julho de 2024, o que gerou questionamento sobre a capacidade do colegiado de analisar com célere as acusações de improbidade eleitoral vinculadas ao financiamento irregular do filme Dark Horse.
O repasse ao filme Dark Horse somou US$ 1,6 milhão em 16 de setembro de 2025, segundo relatório do Coaf.
Repercussão Política e Desafios Processuais
O PT intensificou a pressão sobre o Senado para que o Conselho de Ética retome suas funções deliberativas, exigindo transparência total sobre os recursos captados para o filme Dark Horse e cobrando a retirada do sigilo sobre investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Controladoria-Geral da União, além da suspeição do ministro André Mendonça no STF. A sigla federal descarta apoio à iniciativa de impeachment do magistrado, mantendo foco na apuração dos fatos relacionados ao caso Dark Horse.
A expectativa é que uma reunião extraordinária do Conselho de Ética seja convocada até dezembro de 2025 para avaliar as denúncias apresentadas pelo PT, embora a ausência prolongada de sessões tenha atrasado o andamento natural dos procedimentos disciplinares previstos no Regimento Interno do Senado.



