No início de 2025, o Ministério Público Federal do Maranhão viu-se à centro de uma grave violação de sigilo investigativo, após o uso indevido das credenciais da servidora Alina Franco Boueres de Araújo por aliados do banqueiro Daniel Vorcaro, que acessaram, ao menos cinco vezes, documentos classificados como sigilosos vinculados à O peração Compliance Zero, que apurava a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Contexto Institucional e Procedimentos de Apuração
A Polícia Federal concluiu, com base em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que as credenciais da servidora Alina Franco Boueres de Araújo — integrante do MPF-MA desde 2006 e lotada no gabinete do procurador da República Marcílio Nunes Medeiros — foram empregadas em pelo menos cinco ocasiões entre março, junho e julho de 2024 para acesso não autorizado a arquivos restritos às investigações sobre o caso Master.
As apurações revelam que os acessos ocorreram com frequência sistemática, incluindo uma operação em que seis documentos classificados como sigilosos foram extraídos simultaneamente por Mourão e Daniel Vorcaro, reforçando indícios de coordenação para obtenção de dados estratégicos antes da deflagração da O peração Compliance Zero.
Cinco acessos indevidos registrados entre março e julho de 2024, incluindo a extração simultânea de seis documentos sigilosos por Mourão e Daniel Vorcaro.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Institucionais
O STF retirou o sigilo dos documentos investigativos após solicitação do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, em resposta à crise gerada pela divulgação antecipada de informações sensíveis no âmbito da O peração Compliance Zero, decisão formalizada pelo ministro André Mendonça em fevereiro de 2025.
As autoridades do MPF-MA confirmaram o bloqueio imediato dos acessos e destacaram que não há indícios de conivência consciente por parte da servidora, mantendo a abertura formal para esclarecimentos adicionais sob estrita sigilo processual.



