Mais de 400 eleitores brasileiros residindo em 39 nações fora do território nacional ficam impedidos de participar das eleições de 2026, em razão da inexistência de seções eleitorais com número mínimo de 30 eleitores aptos, conforme determina o artigo 226 do Código Eleitoral e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Contexto Institucional e Limitações Técnicas do Processo Eleitoral
A análise realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) revelou que a impossibilidade de instalação de seções eleitorais em 46 cidades estrangeiras — onde não foram atendidos os requisitos mínimos de aptidão eleitoral — afeta diretamente 426 eleitores brasileiros aptos a votar, dos quais 29 na Geórgia, 27 na Zâmbia, 27 na República Democrática do Congo e 27 na cidade uruguaia de Chuy, totalizando 1.809 brasileiros que exercerão o direito de voto apenas para presidente via sistema manual em 28 localidades internacionais.
Antecedentes históricos indicam que, embora o Brasil mantenha seções eleitorais em diversas capitais e regiões metropolitanas no exterior, a normativa do TSE exige a formação de seções com número mínimo de votantes para viabilizar o uso de urnas eletrônicas; em zonas com menor concentração demográfica, a alternativa prevista é a votação presencial por cédula, restrita ao pleito presidencial.
Mais de 400 brasileiros residentes em 39 países perderão o direito de voto nas eleições de 2026 por ausência de seções eleitorais com número mínimo de votantes.
Repercussões Jurídicas e Desafios O peracionais na Implementação da Medida
A decisão do TRE-DF reforça a autonomia técnica das unidades regionais na gestão do processo eleitoral, ao mesmo tempo em que destaca a ausência de flexibilidade para realocação de eleitores aptos dentro das mesmas jurisdições extraterritoriais, gerando tensões entre princípios democráticos e limitações logísticas.
Especialistas apontam que a restrição à transferência tardia de títulos eleitorais — que exigiria a regularização documental dentro de prazos rígidos — pode comprometer a representação política desses cidadãos, especialmente em contextos onde a mobilidade internacional é frequente.



