A psicóloga clínica Thaíse Marcião Cavalcante alerta que o cuidado com a saúde mental no ambiente de trabalho deve ser uma prática contínua, não limitada ao período do Setembro Amarelo, em um cenário onde os afastamentos por incapacidade relacionados ao burnout subiram de 628 em 2019 para 4.880 em 2024, segundo dados da Fundacentro.
Contexto Institucional e Normativo do Cuidado com a Saúde Mental
De acordo com o Ministério da Saúde, o burnout é caracterizado como um distúrbio emocional decorrente de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico ligados a condições de trabalho desgastantes, com sinais como cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor e insônia, sintomas estes que têm se intensificado nos últimos anos no âmbito corporativo.
A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) dispõe que as empresas incluam os riscos psicossociais — como assédio moral, sobrecarga de trabalho e jornadas extenuantes — no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo mapeamento de perigos, avaliação contínua de exposição e adoção de medidas de controle efetivas para preservar a saúde mental dos colaboradores.
O s afastamentos por burnout subiram de 628 em 2019 para 4.880 em 2024, dos quais 686 foram reconhecidos pela Previdência como relacionados ao trabalho
Repercussão Jurídica e Estratégias para a Sustentabilidade do Cuidado
A psicóloga Thaíse Marcião Cavalcante ressalta que ações pontuais, como brindes e campanhas sazonais, carecem de impacto duradouro quando não amparadas por políticas estruturais alinhadas à NR-1, exigindo das empresas a implementação efetiva do PGR com monitoramento constante e capacitação de lideranças.
Para Mayara Jardim, profissional de Recursos Humanos com mais de oito anos de experiência, o bem-estar dos colaboradores deve ser priorizado por meio da escuta ativa e da criação de ambientes respeitosos, onde o clima organizacional reflita o real comprometimento da empresa com a saúde mental durante todo o ano.
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