No primeiro dia do julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, foram ouvidas nove testemunhas, incluindo o amigo do réu Marcus Vinicius Machado Rocha e Lucas Morais da Silva, filho mais velho do motorista de aplicativo morto no acidente de 31 de março de 2024. Marcus Vinicius, que estava de carona no Porsche 911 e fraturou quatro costelas além de perder o baço, afirmou ter sido intimidado e abandonado por amigos após se recusar a mentir para proteger o empresário. A namorada do réu na época, Giovanna Pinheiro, chegou a ser conduzida coercitivamente para depor, mas a defesa desistiu da oitiva e ela acompanhou o plenário da plateia antes de ser retirada a pedido do promotor Rodolfo Justino Morais.
Os relatos indicam que o grupo saiu de um restaurante por volta das 21h e depois foi para uma casa de pôquer. Na madrugada, houve discussão porque Giovanna não queria que Sastre dirigisse embriado; os amigos tentaram convencê-lo a não assumir o volante, mas ele insistiu. Giovanna recusou entrar no carro e Marcus Vinicius embarcou com o empresário. Lucas Morais da Silva declarou que não consegue mais trabalhar com aplicativos desde a morte do pai e espera que a pena sirva como um recado para a sociedade sobre os riscos de beber e dirigir. A mãe do réu, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, alegou falha mecânica no veículo como causa da batida. Um perito contratado pela defesa deve ser ouvido pelos jurados nesta quinta-feira (29/10).
A defesa, representada pelo advogado Jonas Marzagão, busca convencer o júri de que Sastre deve responder por homicídio culposo, sem intenção de matar, alegando imprudência e negando que o grupo estivesse embriagado como apontado. Já Flávio Torres, advogado da família da vítima, sustenta que houve dolo eventual e citou que o empresário dirigia a 140 km/h em via de 50 km/h, bateu no carro do motorista Arnaldo Silva e fingiu que nada aconteceu. Além do réu, devem ser ouvidas pelo menos outras duas testemunhas nesta quinta-feira, entre elas a policial militar Dayse Aparecida Cardoso Romão, que liberou Sastre do local do acidente sem submetê-lo ao teste do bafômetro.



