Na Aldeia Cabana de Cultura David Miguel, em Belém, sete escolas de samba disputaram durante quase seis horas a classificação das composições que serão apresentadas na fase final da Beija-Flor de Nilópolis, no Rio de Janeiro, onde Bole-Bole, do Guamá, e Xodó da Nega, da Cremação, garantiram vaga na seletiva que definiu os sambas-enredo para a próxima fase do Carnaval.
Contexto Institucional e Histórico da Seletiva
A apuração realizada pela comissão organizadora da Beija-Flor reuniu representantes das escolas participantes na manhã do último sábado (22), sob a coordenação da Secretaria de Cultura do Estado do Pará, com o objetivo de avaliar as composições inspiradas na trajetória da pajé paraense Zeneida Lima. As duas escolas paraenses classificadas obtiveram notas superiores às demais após análise técnica das alegorias, enredos e ensaios das alegorias, com a banca composta por membros da própria escola e por especialistas indicados pela Secretaria de Cultura.
O evento ocorreu em um contexto marcado pela valorização das manifestações culturais do interior do Pará e pela busca por maior representatividade amazônica no Carnaval carioca, especialmente após a histórica conquista da Beija-Flor em 1998 com o enredo 'O Mundo Místico dos Caruanas e a Revolta de Sua Lágrima', que também homenageou a pajé Zeneida Lima.
Duas escolas paraenses garantiram vaga na final da seletiva que reuniu sete agremiações durante quase seis horas em Belém.
Repercussão Jurídica e Próximos Desdobramentos
As escolas vencedoras deverão encaminhar seus sambas para o Rio de Janeiro ainda neste mês, onde enfrentarão as obras de compositores locais na quadra da Beija-Flor até o início de fevereiro, conforme cronograma divulgado pela direção artística da escola carioca. A expectativa é que as apresentações na Sapucaí reflitam tanto a riqueza cultural do Pará quanto a tradição de inovação da escola niloflorense.
O Ministério da Cultura e a Secretaria Especial de Cultura do Pará já sinalizaram apoio à iniciativa como oportunidade para fortalecer políticas públicas de fomento à cultura afro-indígena e à educação patrimonial, enquanto juristas apontam que a escolha do enredo reforça a legitimidade dos direitos culturais tradicionais.



