O ex-ministro do Trabalho Manoel Dias, conhecido como Maneca, morreu aos 88 anos em Florianópolis (SC), onde encontrava-se internado para dar seguimento às sequelas de um AVC sofido no ano anterior, consolidando-se como uma das figuras centrais da história política e sindical do país. Ele ocupou o cargo de chefe do Ministério do Trabalho e Emprego entre 2013 e 2015, durante o governo de Dilma Rousseff, e era reconhecido como um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), tendo participado ativamente da formação do bloco sindicalista e da esquerda democrática no país.
Contexto Histórico e Trajetória de Luta Política
A apuração jornalística confirmou que Manoel Dias faleceu no dia 22 de agosto de 2025, em decorrência das complicações clínicas derivadas de um acidente vascular cerebral sofrido no ano anterior, enquanto permanecia internado em um hospital privado na capital catarinense. O ex-autoridade federal, que assumiu o Ministério do Trabalho durante a gestão de Dilma Rousseff, mantinha histórico vínculo com o movimento sindicalista e com as lutas trabalhistas desde a década de 1960, tendo sido cassado politicalmente duas vezes durante a ditadura militar — primeiro com a cassação do mandato de vereador de Içara em 1964 e posteriormente com a suspensão dos direitos políticos por decreto do AI-5 em 1969. Durante o período de anistia, colaborou na fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina e foi eleito deputado estadual na Alesc em 1966, consolidando-se como um dos principais nomes da resistência democrática na região.
Seu currículo político reflete uma trajetória marcada pela articulação entre esquerda institucional e movimentos sociais, tendo ocupado cargos estratégicos dentro do PDT, como secretário-geral nacional do partido e presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini. Entre 2013 e 2015, comandou o Ministério do Trabalho e Emprego, onde implementou políticas voltadas à formalização do emprego e à valorização dos direitos trabalhistas, deixando marcado seu legado na construção dos núcleos de base do partido.
Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e figura central na fundação do PDT, dedicou sua vida à luta pelo trabalhismo, deixando um legado que seguirá norteando o partido e inspirando novas gerações.
Repercussão Política e Legado Institucional
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, manifestou publicamente sua pesar nas redes sociais, destacando a importância de Manoel Dias como 'dirigente, fundador do PDT e amigo pessoal', ressaltando seu papel na articulação com lideranças como Brizola, Darcy Ribeiro e Jânio Quadros para fortalecer a base do partido. A perda é sentida especialmente no cenário catarinense, onde ele era referência máxima no trabalhismo e manteve influência mesmo sem mandato eletivo.
Mesmo após deixar os cargos executivos, Manoel Dias continuou exercendo papel relevante como conselheiro da direção nacional do PDT e figura consultiva para lideranças sindicais e políticas. O velório organizado na sede da Assembleia Legislativa de Santa Catarina reuniu autoridades públicas, dirigentes sindicais e militantes trabalhistas, demonstrando o alcance de sua trajetória e a força das conexões que construiu ao longo de mais de seis décadas de envolvimento político.



