Segundo relatório da Human Rights Watch divulgado em 24 de setembro de 2023, o recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados na Colômbia registrou aumento significativo desde 2021, com ao menos 1.500 casos documentados nos quais 74% envolvem dissidentes das FARC, predominando no departamento do Cauca, onde meninas indígenas — que compõem 4% da população nacional, mas quase 50% dos recrutados — são alvos prioritários, com mais de um terço das vítimas entre 10 e 14 anos, configurando sérias violações ao Estatuto de Roma da Corte Penal Internacional.
Contexto Histórico e Apuração dos Dados
A investigação da Human Rights Watch, baseada em análise de registros da Defensoria do Povo da Colômbia e em quase duzentas entrevistas com autoridades governamentais, trabalhadores humanitários, líderes indígenas e vítimas diretas ou em risco de recrutamento, revelou um padrão sistemático de ação dos grupos armados dissidentes das FARC, que operam principalmente no Cauca, Nariño e Putumayo, aproveitando a vulnerabilidade social decorrente da desigualdade estrutural, da exclusão educacional e da presença prolongada de zonas rurais desassistidas.
Além da utilização de plataformas digitais como TikTok e Facebook para divulgar propaganda que glorifica a vida armada e oferece 'ofertas de trabalho' fraudulentas, os grupos têm recorrido a intermediários que recebem até US$ 1 mil por criança recrutada, com casos documentados até mesmo dentro de escolas rurais, evidenciando a estratégia multifacetada que combina manipulação virtual e coerção física para atingir menores em situação de risco.
Mais de 1.500 crianças foram recrutadas por grupos armados na Colômbia desde 2021, sendo 74% desses casos associados a dissidentes das FARC e quase metade das vítimas sendo meninas indígenas, apesar de representarem apenas 4% da população nacional.
Repercussão Institucional e Desafios para a Proteção Infanto-Juvenil
A Human Rights Watch solicitou ao governo interino de Abelardo de la Espriella que adote uma política integral de segurança e justiça, com ênfase na capacitação institucional das entidades responsáveis pela proteção infanto-juvenil, assegurando recursos orçamentários e técnicos adequados para combater o recrutamento infantil em âmbito nacional.
As declarações oficiais ainda são aguardadas pela Meta e pelo TikTok em resposta às denúncias formalizadas em julho de 2026, enquanto o Ministério Público colombiano já indicou estar analisando as práticas como possíveis crimes de guerra sob a jurisdição da Corte Penal Internacional.



