Na comunidade rural de Catitu, no município de Itamarati, no interior do Amazonas, uma adolescente indígena de 15 anos foi submetida a um estupro coletivo por um grupo de cinco homens, cujas idades variam entre 22 e 50 anos, conforme registros policiais e documentos periciais obtidos pela reportagem.
Apuração e Contexto Jurídico do Crime
A apuração realizada pela Polícia Civil do Amazonas confirmou a ocorrência do crime em setembro, após a identificação das imagens circulantes em grupos do WhatsApp, que continham gravações explícitas da violência sofrida pela vítima na mata da região; dois dos suspeitos foram detidos — Awano Rafael Kanamari, de 33 anos, que se entregou à autoridade policial em 19 de outubro, e Zeca Bomba, de aproximadamente 50 anos, preso em 9 de outubro —, enquanto os demais três, entre eles Kodo Isaias Kanamari (22) e Tucuwi Carlinhos dos Santos Kanamari (25), continuam foragidos com ordem de prisão ativa desde o fim de setembro.
O caso foi formalmente enquadrado nos artigos 213 e 348 do Código Penal (estupro e favorecimento pessoal) e nos artigos 240 e 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que tipificam a produção e divulgação de imagens de conteúdo sexual explícito envolvendo menores; a vítima encontra-se sob tratamento médico e psicológico especializado e já foi matriculada em instituição de ensino para garantir sua proteção social e reintegração.
Mais de 150 cópias das gravações do estupro coletivo circularam em grupos de WhatsApp antes de serem reportadas às autoridades.
Repercussão Institucional e Desafios na Proteção da Vítima
A Polícia Civil continua as buscas pelos três suspeitos ainda não localizados, enquanto o Ministério Público oferece acompanhamento jurídico especializado ao caso, com vistas à aplicação rigorosa das penas previstas na legislação penal e no ECA; a Funina ainda não se manifestou oficialmente sobre as medidas protetivas adotadas para resguardar a identidade e o bem-estar da adolescente.
A advogada indígena Inory Kanamari destacou que o episódio reflete a invisibilidade systemic enfrentada por mulheres indígenas vítimas de violência, ressaltando que fatores étnicos e socioeconômicos influenciam diretamente a mobilização da sociedade civil e a efetividade das respostas institucionais.



