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Cerrado armazena até seis vezes mais carbono por hectare do que a Amazônia, aponta estudo

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 02:00
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Cerrado armazena até seis vezes mais carbono por hectare do que a Amazônia, aponta estudo
Fatos Rápidos da Notícia
  • Solos do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare
  • Estoque é até seis vezes maior que o da vegetação amazônica
  • Parte do carbono permanece no solo há até 20 mil anos
Resumo Editorial

Pesquisa publicada na revista Plants, People, Planet revela que solos do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, superando em até seis vezes o estoque da vegetação amazônica, e alerta para a exclusão de ecossistemas abertos dos mercados de carbono.

Um estudo científico indica que o Cerrado pode armazenar no solo até seis vezes mais carbono por hectare do que a vegetação da Amazônia, com estoques de até 1.200 toneladas por hectare. Parte desse carbono permanece no solo há até 20 mil anos, especialmente em áreas com solos hidromórficos, como veredas e campos úmidos, onde a decomposição microbiana é lenta e a matéria orgânica se acumula ao longo de milênios.

A pesquisa, publicada na revista Plants, People, Planet, defende que campos, savanas e outros ecossistemas abertos sejam incluídos nos mecanismos de financiamento climático e nos mercados de créditos de carbono. Segundo os autores, as metodologias atuais priorizam florestas e a biomassa visível acima do solo, o que torna invisível grande parte do carbono armazenado subterraneamente no Cerrado.

Fernando Silveira, biólogo e professor de ecologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos autores do estudo, compara o bioma à ponta de um iceberg: embora a vegetação seja visível, o estoque de carbono abaixo da terra passa despercebido. Ele afirma que esse carbono subterrâneo é mais seguro a longo prazo e mitiga as mudanças climáticas com maior estabilidade do que o concentrado na vegetação florestal.

O estudo também alerta que o plantio indiscriminado de árvores em áreas naturalmente abertas pode prejudicar a biodiversidade e alterar o funcionamento desses ambientes. Plantas do Cerrado dependem da alta incidência de luz e possuem grande parte de sua estrutura abaixo do solo, nas raízes e em outras estruturas subterrâneas.

Mais de 46% da vegetação original do Cerrado já havia sido desmatada, segundo um estudo de 2022 citado na pesquisa. A conversão para lavouras, pastagens e áreas urbanas libera carbono e compromete estoques que levam séculos para se formar; estimativas apontam que a recuperação de metade da condição original em campos abertos pode levar até 800 anos.

Além do armazenamento de carbono, o Cerrado desempenha papel estratégico na segurança hídrica. O bioma está localizado no Planalto Central e abriga nascentes de oito das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras. Sua destruição pode comprometer o abastecimento de cerca de 50 milhões de brasileiros e afetar a produção agrícola.

A pesquisa recomenda ampliar o reconhecimento dos ecossistemas abertos nas políticas climáticas, desenvolver métodos para medir e validar o carbono presente no solo e nas raízes e direcionar recursos para a conservação e restauração adequadas desses ambientes.

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