O autor narra que descobriu que sua cozinheira, Laide, não sabia ler ao pedir que ela verificasse uma lista de compras. Comovido, comprou um livro por R$ 170,00, além de lápis e borracha, e contratou uma professora particular para ensiná-la. A partir da experiência pessoal, ele defende que saber ler seja requisito obrigatório para trabalhar e receber o Bolsa Família, citando o Serviço Militar como exemplo de exigência semelhante.
Caminha Filho aponta que o Brasil figura perto das últimas colocações entre mais de 80 países no PISA, exame da OCDE aplicado a estudantes de 15 anos. Ele destaca que mais de 70% dos alunos não resolvem problemas básicos de matemática e metade tem dificuldade para interpretar textos simples. O colunista também menciona que países como Rwanda, Kenya e Botswana avançam mais rápido em alfabetização e disciplina escolar do que o Brasil.
O texto critica a ineficiência do gasto educacional brasileiro, apesar do investimento proporcional ao PIB ser superior ao de muitas nações emergentes. Segundo o autor, a máquina educacional é pesada, politizada e incapaz de ensinar português e matemática com qualidade. Ele ainda alerta que jovens saem da escola sem compreensão mínima de finanças, ciência ou interpretação crítica, tornando o país vulnerável a manipulações políticas, econômicas e digitais.
O colunista conclui que, enquanto asiáticos treinam engenharia e programação e africanos aceleram a alfabetização básica, o Brasil discute questões ideológicas sobre reprovação, disciplina e trauma com matemática. Ele associa esse cenário à baixa produtividade, salários ruins e fuga de cérebros qualificados. Por fim, afirma que o quinto mandato do PT deverá enfrentar esses desafios nas salas de aula.



