Na quinta-feira (15), as ações da CoreWeave, neocloud apoiada pela Nvidia, registraram queda de quase 2%, atingindo seu menor nível desde maio de 2025, após uma sequência de desvalorizações que ampliou a perda intradiária para 8,3%, em um contexto de desconfiança crescente em relação à sustentabilidade financeira do modelo de negócios alavancado por empréstimos no setor de inteligência artificial.
Contexto Institucional e Desafios Financeiros da CoreWeave
A CoreWeave, empresa de computação em nuvem especializada em inteligência artificial e que opera com prejuízo, enfrenta uma crise estrutural agravada por uma dívida bruta estimada em cerca de US$ 50 bilhões, colocando em xeque sua capacidade de geração de caixa e sua trajetória de expansão acelerada desde sua estreia na bolsa em março de 2025.
O desgaste do mercado se intensificou após a divulgação de que o custo dos títulos da empresa, com vencimento em 2031, atinge yield próximo de 16% e o spread de risco de inadimplência subiu para 1.000 pontos-base, indicando probability of default near 63% em cinco anos, conforme dados da Tradeweb.
A CoreWeave acumula dívida de US$ 50 bilhões e apresenta probability of default near 63% em cinco anos, sinalizando risco extremo de inadimplência.
Repercussão Setorial e Perspectivas de Reestruturação
A Nvidia, maior investidora da CoreWeave com participação de cerca de 10%, firmou acordo para adquirir toda a capacidade não vendida da empresa até abril de 2032, visando conter a volatilidade e garantir a continuidade operacional dos serviços neocloud que dependem exclusivamente dos chips da empresa.
Especialistas apontam que a dependência excessiva de financiamento por dívida e a ausência de fluxo de caixa positivo sustentável podem levar a medidas corretivas rigorosas, incluindo reestruturação de capital ou venda parcial de ativos, em cenário onde gigantes como Microsoft e O penAI mantêm contratos estratégicos, mas também demonstram sensibilidade à deterioração da demanda por IA.



