A mudança estratégica na representação jurídica do maior processo coletivo ambiental da história inglesa marca nova fase na busca por responsabilidade pela tragédia de Mariana, que completa uma década em novembro de 2025, com o Comitê de Clientes confirmando a substituição do escritório Pogust Goodhead (PG) pelo Bailey Glasser International (BGI) para conduzir a ação contra a BHP nos tribunais britânicos, enquanto o Tribunal Superior de Londres já reconheceu a culpa da mineradora, fixando julgamento entre abril de 2027 e março de 2028.
Contexto Estratégico e Jurídico da Transição de Escritório
A decisão do Comitê de Clientes, composto por milhares de reclamantes representados por mandatos individuais, reflete a consolidação da coordenação jurídica em uma ação que reúne 420 mil pessoas e demandas avaliadas em bilhões de euros, após o rompimento da barragem de Fundão em 5 de novembro de 2015, que inundou 650 quilômetros da bacia do rio Doce até o litoral capixaba, matando 19 pessoas e gerando danos ambientais transnacionais.
O novo acordo prevê que os honorários do BGI serão pagos exclusivamente com sucesso da litigância, mantendo a estrutura de honorários condicionada à vitória judicial, enquanto o escritório Hausfeld & Co LLP assume apoio técnico no processo em Londres, sem alterar os direitos dos reclamantes registrados também na Justiça holandesa contra a Vale e a Samarco.
Mais de 420 mil reclamantes buscam indenizações na casa dos bilhões após a reconhecida responsabilidade da BHP pelo desastre ambiental que matou 19 pessoas e destruiu comunidades ao longo da bacia do rio Doce.
Repercussão Legal e Desdobramentos Futuro
O Tribunal Superior de Londres, por unanimidade, afastou qualquer possibilidade de recurso contra a decisão que atribui à BHP, como acionista controladora da Samarco, a responsabilidade direta pelo colapso da barragem, com a juíza Finola O'Farrell destacando que a empresa teve decisões estratégicas e operacionais no processo que culminou na tragédia.
Com o julgamento previsto para 2027-2028, o caso deve definir padrões de responsabilidade corporativa em desastres ambientais globais, enquanto o Comitê de Clientes reforça seu mandato para garantir reparação integral às vítimas, mantendo foco nas comunidades afetadas desde o colapso há uma década.



