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Urnas fecham em Israel em disputa que vai definir futuro de Netanyahu

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 17:00
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Urnas fecham em Israel em disputa que vai definir futuro de Netanyahu
Fatos Rápidos da Notícia
  • As urnas fecharam nesta terça-feira (27) em Israel, após uma eleição parlamentar que pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê tenta permanecer no cargo em meio a críticas de rivais políticos, enquanto as pesquisas pré-eleitorais indicam que seu bloco não deve conquistar a maioria das cadeiras no Parlamento. O principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também não deve alcançar sozinho o número necessário para formar uma maioria.
  • Segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel, órgão responsável pela organização e apuração do pleito, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar. As eleições ocorrem em aproximadamente 12 mil seções eleitorais. O voto é permitido a cidadãos com mais de 18 anos e não é obrigatório no país.
  • A eleição ocorre em meio às consequências do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à atual guerra no Oriente Médio. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns.
Resumo Editorial

As urnas fecharam nesta terça-feira (27) em Israel, após uma eleição parlamentar que pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê tenta permanecer no cargo em meio a críticas de rivais políticos, enquanto as pesquisas pré-eleitorais indicam que seu bloco não deve conquistar a maioria das cadeiras no Parlamento. O principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também não deve alcançar sozinho o número necessário para formar uma maioria.

As urnas fecharam nesta terça-feira (27) em Israel, após uma eleição parlamentar que pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê tenta permanecer no cargo em meio a críticas de rivais políticos, enquanto as pesquisas pré-eleitorais indicam que seu bloco não deve conquistar a maioria das cadeiras no Parlamento. O principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também não deve alcançar sozinho o número necessário para formar uma maioria.

Segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel, órgão responsável pela organização e apuração do pleito, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar. As eleições ocorrem em aproximadamente 12 mil seções eleitorais. O voto é permitido a cidadãos com mais de 18 anos e não é obrigatório no país.

Esta é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura israelense consegue completar integralmente o período do mandato, sem uma dissolução antecipada. O resultado da votação será determinante para a composição do Knesset, o Parlamento israelense, que possui 120 cadeiras.

A eleição ocorre em meio às consequências do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à atual guerra no Oriente Médio. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns.

Em resposta ao ataque, o governo de Netanyahu lançou uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. Desde o início da guerra, mais de 75 mil pessoas foram mortas no território palestino.

Pesquisas indicam perda de cadeiras para Netanyahu

A última rodada de pesquisas pré-eleitorais indica que o bloco de Netanyahu não deve conquistar a maioria no Parlamento. Os levantamentos também apontam dificuldades para Gadi Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro, que provavelmente precisará do apoio dos partidos árabes para tentar afastar Netanyahu do poder.

Uma pesquisa do Channel 13 News projeta que o bloco do atual premiê, formado por partidos de direita e religiosos, cairia de 64 para 50 cadeiras no Knesset. O grupo precisa conquistar ao menos 61 dos 120 assentos para alcançar a maioria parlamentar.

As projeções indicam, portanto, que Netanyahu pode enfrentar dificuldades para manter uma base parlamentar suficiente para continuar no governo. Ao mesmo tempo, Eisenkot também dependerá da composição do Parlamento e do apoio de outras forças políticas para reunir os votos necessários para formar uma maioria.

O resultado das eleições definirá a distribuição das cadeiras no Knesset e abrirá caminho para as negociações sobre a formação do próximo governo israelense.

Como funcionam as eleições em Israel?

Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.

No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.

A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.

O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.

Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.

Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.

Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.

Quais são as principais forças na disputa?

As principais forças que disputam a eleição são o Likud, partido de direita do premiê Benjamin Netanyahu, e o partido de centro Yashar, liderado por Gadi Eisenkot.

Netanyahu e o Likud governam o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Atualmente, o partido governa por uma coalizão com o partido Sionismo Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos na Cisjordânia, e com Poder Judaico, do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que propõe expulsar os palestinos de Gaza.

A coalizão também era integrada pelo partido Judaísmo Unido da Torá, que renunciou devido à disputa sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.

Analistas apontam que, para conseguir governar e para tentar garantir o apoio dos partidos Haredi e de siglas da ultradireita, Netanyahu fez várias concessões.

Em julho, a coalizão do Likud pressionou pela aprovação da isenção do recrutamento obrigatório para os ultraortodoxos, por exemplo. Já o Partido Sionista Religioso, de Smotrich, conseguiu que o governo aprovasse um pacote de centenas de milhões de dólares para financiar assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Em troca, esses partidos apoiaram várias iniciativas do governo, incluindo uma legislação para limitar a autoridade do procurador-geral e um projeto de lei para reformular as regras de radiodifusão no país.

Mesmo assim, as últimas pesquisas apontam que a coalizão do Likud pode não ter apoio suficiente de partidos sectoriais ou mais à direita para formar maioria.

Já o Yashar foi criado em 2025 pelo ex-chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, escolhido pelo próprio Netanyahu e agora visto como seu principal concorrente. O filho de Eisenkot foi morto no conflito em Gaza, e o ex-chefe militar que integrava o gabinete de guerra de Netanyahu passou a criticar a conduta do governo por falta de uma estratégia clara.

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot projeta a imagem de um militar de carreira e outsider da política, buscando contrastar com as décadas de Netanyahu no poder. Mas ele não deve suavizar a política regional de Israel: o general foi uma figura central na elaboração da estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, como forma de dissuasão após a guerra do Líbano de 2006, além de ter participado do planejamento estratégico no início da guerra em Gaza.

Em terceiro lugar nas pesquisas aparece o partido Juntos (Beyachad), fundado pelo direitista Naftali Bennett e pelo centrista Yair Lapid.

Os dois formaram uma coalizão improvável em 2022 e interromperam 12 anos seguidos de governo Netanyahu, e agora uniram forças para fundar um partido. Eles apostam em reformas internas, inclusive sobre o serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos, mas também não devem adotar estratégias muito diferentes do atual governo para a segurança nacional e a política externa.

"O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão [...] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele", afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel.

Para a oposição, essa tem sido considerada a eleição mais importante da história de Israel, explica o professor de Sociologia da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman.

"Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento", diz Gherman.

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