O vereador Lucas Pavanato (PL), relator da CPI dos Pancadões da Câmara Municipal de São Paulo, utilizou o funk como tema central em sua campanha para a Câmara dos Deputados, ao lançar o jingle "Corte Rápido (Funk do Pavanato)" e estrelar vídeo com cantoria pedindo votos, após ter defendido teorias que vinculam festas de funk nas periferias à normalização da narcocultura e ao crime organizado.
Contexto Institucional, Histórico e Fundamentação da CPI dos Pancadões
Durante o mandato, o vereador assumiu a relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em 2025, com mandato para investigar omissões na fiscalização do sossego e no combate a festas clandestinas e pancadões que, segundo ele, estariam vinculadas à prática criminosa e ao tráfico de drogas nas periferias de São Paulo.
No relatório final da CPI, Pavanato afirmou que 'pancadões, em determinados contextos, funcionam como espaços de difusão e normalização da chamada narcocultura', legitimando o crime organizado como mecanismo de ascensão social, posição reforçada em manifestações públicas e em seu trabalho legislativo.
A investigação ocorreu em um cenário onde manifestações culturais periféricas ganhavam visibilidade nacional, mas também enfrentavam críticas institucionais por questões relacionadas à segurança pública e ao ordenamento jurídico.
O vereador Lucas Pavanato transformou o funk, gênero musical originário das periferias de São Paulo, no pilar simbólico de sua campanha eleitoral após denunciar o mesmo estilo de festa como vetor da narcocultura e do crime organizado.
Repercussão Jurídica, Institucional e Desdobramentos da Controvérsia
A exposição 'Funk: Um Grito de O usadia e Liberdade', realizada no Museu da Língua Portuguesa entre novembro de 2025 e agosto de 2026, foi encerrada em maio após denúncia formal do vereador Pavanato, que alegou que o conteúdo violava o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por promover sexualidade explícita e apologia ao crime organizado.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acolheu a denúncia e instaurou procedimento para apurar possíveis infrações ao ECA e à legislação penal contra a realização da mostra sem adequação pedagógica para menores.
Pavanato reiterou sua posição em entrevista à imprensa, afirmando que 'funkeiro que cultua o crime organizado tem que apodrecer na cadeia', reforçando seu discurso de criminalização do gênero como parte integrante da segurança pública.



