O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) formalizou pedido à Justiça Federal para que os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, sejam incluídos na lista vermelha de procurados da Interpol, com base em investigação que apura abusos sexuais cometidos contra ao menos seis adolescentes em Boa Vista.
Mais de um mês após a decretação da prisão preventiva, o casal continua foragido e é suspeito de estar localizado em Manaus, no Amazonas.
Segundo a denúncia formalizada em 21 de agosto pelo promotor José Rocha Neto, o casal teria explorado sexualmente meninas entre 12 e 17 anos de idade, utilizando a autoridade religiosa e a manipulação emocional para manter as vítimas em silêncio, oferecendo vantagens financeiras e favores em troca do silêncio. O s crimes incluem estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) com apoio do Departamento de Inteligência (Deint) da Sesp, começou em abril de 2026 após denúncia inicial de uma adolescente de 14 anos. A Justiça concedeu prisão preventiva aos suspeitos em julho, mas eles escaparam da fiscalização há mais de um mês. Dados apontam que o casal teria fugido da capital roraimense com recursos oriundos de dízimos e ofertas religiosas.
Alerta Internacional para Efetividade das Medidas Coercitivas
O MPRR argumenta que a localização geografica e as características das rotas internacionais fazem inviável o controle das buscas apenas dentro do território brasileiro. O Amazonas faz fronteira com Colômbia e Peru e possui ampla conectividade aérea internacional, facilitando a evasão. Nesse sentido, a inclusão na lista vermelha da Interpol permitiria que dados biométricos e descriptivos dos foragidos fossem compartilhados com órgãos de segurança em mais de 195 países membros.
A medida visa assegurar que Wenderson e Arielly sejam localizados por autoridades brasileiras com apoio internacional, facilitando a extradição caso sejam identificados em território estrangeiro. Além disso, o MP pediu a conversão da prisão preventiva em definitiva e a suspensão dos documentos oficiais dos suspeitos.
A eficiência das investigações criminais depende da articulação entre órgãos nacionais e plataformas internacionais como a Interpol para garantir a efetividade da justiça.



