Aos 71 anos, Álvaro Henrique Braga, médico especialista em angiologia e vascular que residia no Rio de Janeiro desde 1983, faleceu, conforme confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), trazendo à tona um dos casos mais intrigantes da história criminal brasiliense, envolvendo o desaparecimento e assassinato da irmã, Ana Lídia Braga, ocorrido em 1973.
Contexto Histórico e Apuração do Caso
A morte de Álvaro Henrique Braga, ocorrida em 2024, reavivou o debate sobre um crime brutal registrado em 12 de setembro de 1973, quando a jovem Ana Lídia Braga foi raptada nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB), após ser deixada pelos pais na porta de uma escola particular na Asa Norte, e encontrada morta no dia seguinte com indícios claros de violência extrema.
Investigações policiais revelaram que Álvaro, então com 18 anos, foi considerado o principal suspeito devido a testemunhas que o identificaram como o homem alto e loiro vestindo blusa branca e calça verde militar — perfil compatível com relatos da época —, além de acusações relacionadas a vínculos com o tráfico de drogas e dívidas financeiras que o pressionavam, enquanto seu colega Raimundo Lacerda Duque, de 30 anos e funcionário do mesmo estabelecimento onde residia a mãe da vítima, também foi detido após confissão parcial de envolvimento com drogas e conduta suspeita.
O túmulo de Ana Lídia Braga continua sendo um dos mais visitados no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, onde bonecas são deixadas como oferenda em seu jazigo.
Repercussão Jurídica e Legado Familiar
O Ministério Público Federal reclassificou o caso em 1985 após novas informações surgirem, mas a ausência de evidências concretas levou ao encerramento definitivo do inquérito em 1993, quando o crime prescreveu, após 20 anos de prazo máximo estabelecido pelo ordenamento jurídico brasileiro.
Familiares diretos da vítima, incluindo a mãe que negou categoricamente a participação de Álvaro durante décadas, mantêm até hoje a busca por justiça formal, enquanto o óbito do principal suspeito em 2024 fecha um ciclo processual que durou mais de cinco décadas sem sentença condenatória.



