A Brasilcom apresentou proposta durante consulta pública para que o governo reduza as metas anuais do programa federal RenovaBio. A entidade alega que a perspectiva mais fraca para a economia brasileira deve levar a uma menor demanda por combustíveis fósseis nos próximos anos.
Segundo a associação, o governo projeta metas muito otimistas para a venda de gasolina e diesel, números que não correspondem à realidade observada pelo setor. O presidente da Brasilcom, Abel Leitão, afirmou que o consumo de diesel, altamente ligado ao PIB, deve crescer muito pouco, enquanto a gasolina enfrenta concorrência direta do etanol.
A redução das metas diminuiria a necessidade de compra de Créditos de Descarbonização (CBios) pelas distribuidoras, títulos que representam um custo operacional para cumprir as obrigações anuais de descarbonização. Os CBios são emitidos por produtores de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, que seriam impactados caso o corte seja aceito.
A Brasilcom propôs que a meta para 2027 seja reduzida para 47,6 milhões de CBios, com crescimento gradual até 63,04 milhões em 2036. O governo, por sua vez, sugeriu meta nacional de 56 milhões de títulos em 2027, podendo chegar a 74,16 milhões em 2036.
Caso a proposta seja aceita, haverá uma redução de 490 mil CBios em relação à meta prevista para 2026. A associação também apontou que o avanço dos emplacamentos de veículos elétricos e híbridos tende a reduzir a demanda por combustíveis fósseis nos próximos anos.
Outro fator citado é a perda relativa dos veículos flex-fuel na frota brasileira. A entidade destaca ainda que o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz de transportes, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, deve substituir parte do consumo de gasolina e diesel.
Entre os motivos apresentados estão a elevação das misturas obrigatórias e a expansão da produção de etanol de milho. As projeções da Brasilcom indicam desaceleração econômica, com crescimento do PIB entre cerca de 1% e 2,3% para 2027.



