Segundo relatório da Moody's, as empresas brasileiras enfrentarão pressão significativa sobre seus fluxos de caixa em 2027, com projeção de queda de 3,3% no EBITDA, refletindo desafios decorrentes da taxa Selic elevada, efeitos climáticos do El Niño, instabilidades internacionais e intensa concorrência chinesa.
Diagnóstico Econômico e Riscos Estruturais Identificados pela Moody's
A análise da agência aponta que a combinação de juros reais negativos e a taxa Selic acima de dois dígitos limita a capacidade de geração de caixa das empresas, especialmente aquelas com dívida indexada a taxas flutuantes, representando quase um terço do total das obrigações com rating Moody's no Brasil.
Esses ativos estão concentrados em setores estratégicos como agronegócio, energia, saneamento e transporte, tornando-os vulneráveis a choques externos como variações na produção agrícola e na demanda por eletricidade, agravados pelo fenômeno El Niño.
Quase um terço da dívida das empresas brasileiras com rating da Moody's é indexada a taxas flutuantes, expondo setores-chave à volatilidade dos juros e impactos climáticos em 2027.
Repercussões Setoriais e Perspectivas de Reestruturação Financeira
A expectativa de redução de 1,7% nas vendas domésticas de aço para as siderúrgicas brasileiras, enquanto o consumo aparente cresce 1% em 2026 devido às importações chinesas que totalizaram 3,3 milhões de toneladas nos primeiros sete meses de 2026, evidencia o desequilíbrio estrutural do setor diante da concorrência predatória.
Com cerca de 23% das empresas não financeiras com rating em perspectiva negativa em setembro, a Moody's destaca a necessidade urgente de venda de ativos e reestruturações de dívida para mitigar o risco de alavancagem excessiva e problemas de liquidez antes da eleição presidencial de outubro de 2026.



