A Semana de Moda de Paris, ocorrida entre 28 de setembro e 6 de outubro de 2026, consolidou o maximalismo como eixo central da produção de coleções para o verão 2027, com destaque para a intensificação do uso de acessórios exuberantes e a reinterpretação de elementos tradicionais por parte das principais casas de moda. O desfile Vivienne Westwood 'Body & Soul', apresentado por Andreas Kronthaler, simbolizou a convergência entre caos estético e intencionalidade simbólica, enquanto Schiaparelli e Dior reforçaram abordagens distintas na valorização da joalheria animalista e da assimetria estrutural. Este panorama reflete uma mudança estratégica na indústria da moda, onde o exagero na ornamentação transita entre tendência efêmera e linguagem visual consolidada.
Contexto Institucional e Histórico da Semana de Moda
A Semana de Moda de Paris, evento-chave no calendário internacional da indústria têxtil, manteve entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro de 2026 sua posição como referência absoluta para a previsão de tendências globais, consolidando o foco no maximalismo como expressão dominante das coleções para o verão 2027. A programação ocorreu em um cenário de retomada pós-pandêmica, com investimento recorde em eventos presenciais e maior engajamento do público especializado, evidenciado pela presença de compradores internacionais e influenciadores setoriais em números superiores aos registrados em ciclos anteriores. Nesse contexto, as coleções apresentadas não se limitaram a apresentar peças, mas construíram narrativas simbólicas por meio da ampliação exagerada do repertório acessório, configurando uma nova estética que prioriza o corpo como tela para intervenções artísticas.
As apresentações revelaram uma diversificação nas abordagens máximas: enquanto Dries Van Noten apostou na reinvenção de broches tradicionais como elementos integrados a cardigãs e blazers, Schiaparelli manteve paleta contida mas intensificou a joalheria com esculturas de animais como cavalos, golfinhos e aranhas, transformando fechaduras e lábios em detalhes ornamentais em sapatos e bolsas. Já na Dior, Jonathan Anderson introduziu a assimetria como princípio estrutural em brincos feitos de fios longos de contas ou pétalas de chiffon, enquanto a Chloé destacou brincos volumosos que ocupavam o ombro inteiro. Esse movimento reflete uma estratégia setorial de valorizar o acessório não como complemento secundário, mas como protagonista da identidade visual da coleção.
O desfile Vivienne Westwood 'Body & Soul', apresentado por Andreas Kronthaler, simbolizou a convergência entre caos estético e intencionalidade simbólica
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
A intensificação do maximalismo nas coleções gerou debates sobre direitos autorais e propriedade intelectual, especialmente diante da utilização de formas animais e símbolos clássicos das casas de moda por terceiros. Enquanto Schiaparelli defendeu a liberdade criativa sem restrições legais explícitas, a Dior recorreu a patentes registradas para proteger as estruturas assimétricas dos brincos, sinalizando uma maggiore preocupação com a proteção de ativos intangíveis. Autoridades da Secretaria Nacional da Propriedade Industrial (Senain) confirmaram estar monitorando eventuais infrações relacionadas às coleções.



