Após reaver o alinhamento com Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, o Executivo federal abandonou o discurso de confrontação institucional ao deixar de empregar o lema 'Congresso inimigo do povo' para concentrar esforços exclusivamente na oposição, sinalizando uma nova fase estratégica no impulso à PEC que regulamenta o teto de gastos fiscais, cujo trâmite permanece suspenso na expectativa de votação plenária após as eleições.
Recalibração da Estratégia Política e Revisão de Discurso Institucional
A mudança de postura governamental ocorre em um contexto de impasse legislativo, onde a base aliada ao presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado dificuldades para avançar com a PEC 28/2023, originada da proposta de revisão dos critérios de ajuste fiscal previstos no artigo 165 da Constituição Federal, que exige a aprovação em dois turnos com quórum qualificado no Senado.
Nos últimos meses, a estratégia original baseava-se na pressão sobre a Câmara dos Deputados e na articulação direta com líderes da base no Congresso, mas a resistência crescente de setores da oposição e a recusa de alguns aliados em votar em plenário levaram à suspensão da sessão destinada à votação final do texto, prevista inicialmente para abril.
A PEC requer 49 votos em dois turnos para avançar, mas a sessão plenária foi adiada até após as eleições devido à estratégia de postergamento adotada pela base governista e pela oposição.
Repercussão Jurídica e Cenário Futuro da PEC
A expectativa é que a votação definitiva ocorra no segundo semestre de 2023, após a definição do calendário legislativo pós-eleitoral, com possibilidade real de retomada do debate quando o Senado recuperar sua plenitude funcional.
Autoridades como o presidente do Senado e líderes partidários têm sinalizado que o texto permanecerá sob análise até outubro, quando os novos titulares das presidências das comissões poderão impactar decisivamente o desfecho da proposta.



