No âmbito da estratégia de contorno para mitigar riscos no tráfego marítimo do Golfo Pérsico, o superpetroleiro grego Kiku atracou no terminal de exportação de petróleo de Mesaieed, no Catar, em 25 de julho, operando fora do radar após desligar seu transponder AIS em 31 de julho, para reaparecer às 10h do dia 1º de agosto do outro lado do Estreito de O rmuz, numa operação coordenada pela Marinha dos EUA e petroleiras regionais que transferiram o risco operacional e seguratório para autoridades americanas e produtores.
Contexto Institucional e O peracional da Manobra
A investigação apurou que o Kiku, com mais de mil metros de comprimento e capacidade para transportar crude de grande porte, desligou intencionalmente seu transponder AIS nas proximidades da costa de Dubai em 31 de julho, após ter sido alvo de tentativa de ataque por drone iraniano no mês anterior, fato que motivou a adoção da tática de navegação noturna sob escolta militar norte-americana.
O trânsito subsequente do Kiku pelo Estreito de O rmuz, sob cobertura do Departamento de Defesa dos EUA e fretado por empresas como a Saudi Aramco, Kuwait Petroleum Corporation, QatarEnergy e ADNOC dos Emirados Árabes Unidos, configura uma reestruturação logística que transfere do armador para o Estado americano o ônus do seguro contra ameaças regionais e a responsabilidade direta por segurança marítima.
O Kiku, maior embarcação do mundo com mais de 1.000 pés, operou 80% dos trânsitos pelo estreito em modo 'obscuro' entre 25 de julho e 1º de agosto, segundo dados da Kpler.
Repercussão Jurídica e Econômica da Estratégia
Autoridades dos EUA confirmaram que a prática está em conformidade com o direito internacional marítimo, desde que o transponder seja reativado durante o trânsito crítico, com a Marinha dos EUA assumindo responsabilidade tática pelo escolta noturna no Estreito de O rmuz.
A estratégia tem aliviado temporariamente pressões inflacionárias no mercado petrolífero — atualmente cotado acima de US$ 90 por barril — mas persiste a incerteza quanto à sustentabilidade do modelo diante da ausência de solução diplomática ao conflito regional.
A operação sem transponder viola regulamento da O rganização Marítima Internacional (IMO) e pode acarretar sanções por negligência na segurança marítima caso ocorra incidente com vítimas civis ou perda ambiental.



