Um novo esquema de engenharia social, operado por criminosos digitais, explora a credibilidade do programa Desenrola ao enviar e‑mails e páginas web falsificadas que imitam o aplicativo oficial do Governo Federal, prometendo descontos de até 99% para quitar débitos e elevar o score de crédito, enquanto induz as vítimas a efetuar pagamentos via Pix, como ocorreu com a enfermeira Louriete Malcher, de 25 anos, que transferiu R$ 68,70 acreditando estar quitando uma dívida inexistente.
Contexto Institucional e Mecanismos de Fraude
A investigação revelou que os fraudadores criaram domínios eletrônicos que reproduzem fielmente o layout do portal governamental, exibindo selos visuais e imagens de autoridades ligadas ao programa Desenrola, além de inserir nos formulários dados pessoais reais – nome completo, CPF e data de nascimento –, o que conferiu à página falsa aparência de legitimidade e estimulou a confiança do usuário.
Nos relatos, a vítima recebeu mensagem eletrônica com oferta de renegociação que constava de redução drástica dos juros e da possibilidade de limpeza do nome nos cadastros de inadimplentes; ao acessar o chat integrado, foi confrontada com mensagens pré‑gravadas e vídeos simulando atendimento personalizado, culminando na exigência de pagamento imediato via Pix, etapa apresentada como indispensável para concluir a suposta negociação.
Mais de 160 mil reais foram subtraídos por meio desse golpe em Amapá.
Repercussão Legal e Diretrizes Preventivas
As autoridades competentes – incluindo a Polícia Federal e o Ministério da Justiça – classificaram o caso como crime cibernético com características de estelionato qualificado, destacando que a cobrança de taxa mediante transferência eletrônica caracteriza fraude contra o administrador público do programa Desenrola e viola dispositivos do Código Penal relativos à obtenção induta de vantagem ilícita.
Diante do crescimento exponencial dos casos em âmbito nacional, especialistas em segurança da informação recomendam a verificação rigorosa do endereço eletrônico antes de fornecer dados pessoais ou efetuar pagamentos, bem como a conferência da legitimidade da fonte junto à Secretaria da Receita Federal e ao Banco Central, alertando que a recusa em desconfiar pode acarretar perdas financeiras irreparáveis.

