Em sessão solene da Assembleia Nacional da Nicarágua, realizada em 22 de agosto, o Parlamento aprovou por maioria a inclusão de uma cláusula constitucional que proíbe a aplicação de leis ou regulamentos emitidos por Estados estrangeiros ou organismos internacionais que, segundo o texto, atentem contra a soberania, a paz e a independência da nação centro-americana, com votação definitiva prevista para setembro.
Contexto Institucional e Histórico da Proposta de Reforma
A aprovação ocorreu durante uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional, presidida pelo deputado Gustavo Porras, após aprovação unânime de um parágrafo constitucional que estabelece que 'nenhuma lei, regulamento ou normativa emitido por outro Estado, grupo de Estados ou organismo internacional que menospreze e atente contra a independência, a soberania, a paz do povo e a nação nicaraguense terá efeitos jurídicos no território nacional', conforme transcrito nos registros oficiais da Casa Legislativa.
O texto foi elaborado em resposta ao plano do governo de Daniel O rtega de restringir a participação de partidos de oposição nas eleições presidenciais, medida que gerou forte reação da O rganização dos Estados Americanos (O EA), que em 19 de agosto formalizou uma resolução exigindo reunião emergencial dos ministros das Relações Exteriores para avaliar as consequências desse movimento junto à comunidade hemisférica.
A Nicarágua passa a declarar nula qualquer norma externa que viole sua soberania, independentemente de seu caráter jurídico ou diplomático.
Repercussão Internacional e Desafios à Autonomia Política
A O EA classificou os acontecimentos como 'urgentes' e 'de interesse comum', mobilizando os chanceleres para uma reunião extraordinária que visa analisar se medidas coercitivas ou diplomáticas são adequadas diante da erosão do pluripartidarismo nicaraguense.
Enquanto isso, o governo de O rtega consolidou sua estratégia de exclusão política ao combinar a proposição constitucional com a proposta de banir candidaturas contrarias ao chavismo, reforçando críticas internacionais sobre retrocesso democrático no país.



