A Chevron anunciou nesta quarta-feira que destinará mais de US$ 7 bilhões para dobrar sua produção de petróleo bruto na Venezuela, atingindo a marca de 600 mil barris por dia em um período de cinco anos, como parte de um ambicioso plano de expansão firmado após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, e integrado ao programa estadunidense de US$ 100 bilhões destinado à reconstrução do setor energético venezuelano.
Contexto Histórico e Estratégico da Ampliação da Produção
A apuração da reportagem revelou que o investimento da Chevron está vinculado ao plano bilateral entre os EUA e o governo temporário liderado por Juan Guaidó, reconhecido internacionalmente, e que prevê a recuperação da infraestrutura petrolífera danificada por décadas de negligência e sanções econômicas. A produção atual da empresa, estimada em 290 mil barris diários, corresponde a quase metade da produção nacional total, que varia entre 1,1 e 1,2 milhão de barris por dia, conforme dados da O rganização dos Países Exportadores de Petróleo (O PEP). A Chevron mantém operações contínuas na Venezuela desde 1923, operando por meio das joint ventures Petroindependencia, Petropiar e Petroboscan, espalhadas pelo Cinturão do O rinoco e região de Zulia.
Nos últimos meses, a produção venezuelana fluctuou entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de barris por dia, mas ainda assim longe do pico histórico de mais de 3 milhões registrados no final da década de 1990. A formalização do acordo ampliado pela Chevron permite-lhe assumir participação majoritária em cerca de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas — valor que supera a capacidade produtiva atual do país — consolidando sua posição como principal player estrangeiro no setor após a saída da ExxonMobil e da ConocoPhillips em 2007.
A Chevron planeja triplicar sua produção na Venezuela, elevando-a de 290 mil para cerca de 600 mil barris diários até 2029 com um investimento superior a US$ 7 bilhões.
Repercussão Institucional e Desafios O peracionais
A declaração oficial da Chevron destacou que os custos operacionais serão mantidos abaixo de US$ 20 por barril, índice considerado viável diante da atual valorização do petróleo no mercado global. No entanto, especialistas apontam que a retomada da produção em escala significativa enfrenta obstáculos técnicos sérios, incluindo degradação de poços, falta de manutenção e sanções secundárias que limitam acesso a tecnologia e equipamentos.
Autoridades dos EUA reforçaram que o investimento está condicionado à transparência financeira e ao cumprimento dos princípios acordados com o Departamento do Tesouro, enquanto o governo interino venezuelano exigiu garantias sobre a distribuição justa dos royalties e a preservação da soberania estatal sobre os recursos naturais.



