A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado avalia que o governo dificilmente conseguirá atingir o superávit primário em 2027, considerando o cenário atual das contas públicas. O diretor da instituição, Alexandre Andrade, afirmou em entrevista ao CNN Money que a equipe econômica deve anunciar "o mais rápido possível" um plano de ajuste fiscal para ancorar as expectativas do mercado.
Andrade apontou premissas otimistas nas receitas e despesas do PLOA 2027 e a necessidade de acomodar entre 40 e 50 bilhões de reais em novas despesas anunciadas após 31 de agosto. Ele destacou ainda que a previsão de crescimento menor do PIB afetará as receitas, tornando o resultado superavitário mais remoto.
A análise aponta que o forte crescimento do gasto obrigatório comprime o espaço discricionário do orçamento. Segundo o diretor, existem cerca de 140 bilhões de reais em despesas discricionárias não rígidas passíveis de cortes, mas ele ressaltou que um ajuste focado apenas nesse tipo de despesa não é suficiente, sendo necessária uma revisão das despesas obrigatórias.
A IFI projeta que a regra do arcabouço fiscal perderá eficácia em 2028, quando as despesas sujeitas ao limite ultrapassarão o estabelecido. Alexandre Andrade alertou que modificar os parâmetros da regra terá efeito limitado sem uma reforma do gasto obrigatório.



