O colapso de uma parede rochosa e glacial, que desencadeou uma enchente catastrófica no Nepal e no Tibete em outubro de 2023, resultou em mais de 1.300 óbitos e deixou mais de 6 mil pessoas desaparecidas, após a World Weather Attribution confirmar que o aquecimento regional das temperaturas, frequentemente o dobro da média global, intensificou a instabilidade das geleiras e amplificou os riscos naturais além dos limites de adaptação humana.
Contexto Climático e Geológico do Desastre
A investigação científica, conduzida por uma colaboração internacional entre instituições do Nepal, Paquistão, Reino Unido, Irlanda, Suécia, Dinamarca, Noruega, Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, identificou que o desastre foi precedido por condições climáticas excepcionalmente quentes, que aceleraram a degradação do permafrost e o recuo acelerado das geleiras locais.
Além das mudanças climáticas como fator determinante, a instabilidade geológica já existente — agravada pelo terremoto de Gorkha em 2015 — contribuiu para a fragilidade das encostas montanhosas, enquanto o deslizamento de dois quilômetros quadrados de detritos rochosos e gelo desencadeou uma avalanche que gerou uma onda de água de degelo percorrendo 200 km em menos de sete horas.
Mais de 1.300 pessoas morreram e 6 mil permanecem desaparecidas após o colapso de 2 quilômetros quadrados de gelo e rocha na montanha nepalesa.
Repercussão Institucional e Políticas Públicas
O estudo reforça a necessidade urgente de reequipar os sistemas de defesa civil e aprimorar protocolos de alerta precoce em regiões vulneráveis à degradação glacial, conforme destacado por Haddad, que defende a ampliação da capacidade institucional para enfrentar eventos climáticos extremos.
As mudanças climáticas têm se tornado mais intensas e frequentes em escala global, exigindo respostas coordenadas entre ciência, governança e sociedade para mitigar impactos cada vez maiores em populações expostas.



