Uma operação deflagrada nesta segunda-feira (28), em Salvador, pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado), resultou na prisão de nove pessoas, incluindo um policial militar, sob a suspeita de praticar tortura física e psicológica dentro da sede da Bamor, torcida organizada do Bahia. A ação, realizada em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública e as polícias Civil e Militar, cumpre mandados de prisão e busca e apreensão, visando apurar crimes graves como associação criminosa, extorsão, ameaça e roubo, além da suspeita de tortura que teria ocorrido em julho deste ano.
Contexto Institucional e O peracional da Apuração
As investigações conduzidas pelo MPBA apontam que, entre julho e agosto deste ano, pelo menos duas pessoas teriam sido submetidas a atos de tortura dentro da sede da Bamor, sendo obrigadas a confessar supostas irregularidades sob ameaça de violência física. As vítimas relataram ser agredidas com tacos de beisebol, martelo e faca, além de submetidas a sufocação e afogamento durante sessões que duraram horas. As apurações foram coordenadas pelo Gaeco, com apoio das unidades especializadas do Deic (Departamento Especializado de Investigações Criminais), do Denarc (Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico) e da Force (Força Correcional Especial Integrada), além da Corregedoria-Geral da SSP (Secretaria da Segurança Pública) e das próprias corregedorias das polícias Militar e Civil.
Antecedentes revelam que a Bamor mantém histórico de atos violentos contra seus integrantes e envolvimento em práticas ilícitas estruturais, como cobranças irregulares e uso coercitivo de força. A operação em curso representa o primeiro desdobramento formal de investigações judiciais sobre denúncias concretas de tortura praticada por membros da entidade, configurando um marco relevante para o combate ao crime organizado no interior do sistema carcerário informal baiano.
Nove pessoas foram presas em uma operação que apura casos de tortura física e psicológica praticada pela torcida organizada do Bahia.
Repercussão O ficiais e Desdobramentos Jurídicos
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar confirmou a participação do policial militar no caso e informou que está realizando avaliação disciplinar interna para apurar responsabilidades individuais. Enquanto isso, o MPBA destacou que as investigações seguem com total autonomia técnica, garantindo transparência nos procedimentos periciais e na coleta de provas documentais. Autoridades em saúde mental também foram acionadas para avaliação das condições psicossociais das vítimas.
O caso pode gerar repercussão legal sem precedentes no âmbito esportivo brasileiro, especialmente se comprovar-se vínculos entre práticas ilícitas da Bamor e estrutura organizacional criminosa. As autoridades envolvidas sinalizaram que medidas preventivas serão adotadas para coibir a reedição desses atos no futuro.



