O quinto boletim do Painel El Niño, divulgado pelo Inmet em outubro, projeta que o fenômeno deve ganhar intensidade e alcançar a categoria de muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O documento aponta que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, com anomalias de temperatura ultrapassando 3 °C nas áreas centrais e orientais do oceano, segundo dados da NOAA.
O boletim foi elaborado por um grupo de instituições que inclui Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam. As previsões climáticas apontam maior probabilidade de chuvas acima da média histórica na região Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste, enquanto a tendência é de precipitações abaixo do padrão climatológico em grande parte do Norte e em setores do Nordeste e Centro-Oeste.
As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, especialmente na região Norte, com exceção do Rio Grande do Sul, onde há maior probabilidade de temperaturas abaixo do padrão climatológico no trimestre. Mesmo em áreas com previsão de menos chuva, podem ocorrer episódios de precipitação intensa devido à combinação entre calor e umidade disponível na atmosfera.
Entre agosto e setembro, a área do Nordeste classificada com seca grave passou de 16% para 28% da região, segundo o Monitor de Secas. No Norte, a parcela com essa classificação dobrou, de 4% para 8%, preocupando especialmente em Roraima e nas bacias dos rios Negro e Branco.
O risco de queimadas continua elevado na região Norte devido à previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas. Na Amazônia Legal, foram contabilizados 6.542 eventos de fogo em agosto, 12.659 em setembro e 11.662 em outubro até o dia 23. Para novembro, a expectativa é de redução das ocorrências com o avanço gradual da estação chuvosa, embora a influência do El Niño possa tornar essa diminuição mais lenta.
A previsão do Cemaden para o trimestre de novembro a janeiro classifica 307 municípios em nível de alerta alto e outros 464 em alerta para o risco de fogo. Apesar da tendência de redução da área sob condições mais críticas em comparação com o trimestre anterior, o boletim ressalta que a chegada das chuvas não elimina imediatamente o risco de incêndios.
Enquanto o Norte e Nordeste enfrentam escassez hídrica, o Sul apresenta cenário de atenção para cheias. Os três estados da região estavam livres de seca pelo segundo mês consecutivo, mas acumulados de chuva provocaram elevações recorrentes nos níveis dos rios e inundações em diferentes localidades.
Na bacia do rio Uruguai, foram ultrapassadas cotas de alerta em estações do Médio Uruguai, enquanto áreas do Alto Uruguai, em Santa Catarina, também registraram elevações. As bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, tiveram episódios de inundação em diversos municípios.
A previsão sazonal indica vazões acima da média e maior risco de cheias em toda a região Sul, em parte do Sudeste e no alto rio Paraguai. No Sudeste, esse risco pode aumentar em janeiro, especialmente nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul. Por outro lado, as vazões devem permanecer abaixo da média em grande parte do país.
Diante das projeções, as instituições responsáveis recomendam acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e das condições hidrológicas. A Defesa Civil orienta a população a manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas, conhecer os riscos existentes na cidade e identificar locais seguros e rotas de fuga.



