A advogada Maria Eduarda Lucena, conhecida como Duda, recebeu pagamentos semanais de R$ 75 da casa de apostas 'Aposta Ganha' entre janeiro e junho de 2024 para postar comentários favoráveis à governadora Raquel Lyra (PSD) e críticos ao adversário político João Campos (PSB) em grupos de WhatsApp coordenados, configurando prática de influenciamento político em redes sociais vinculada a um setor econômico regulado.
Contexto Institucional e Estratégia de Influenciamento Político
A apuração da coluna, baseada em recibos financeiros, declarações de testemunhas e análise de 86 comentários publicados entre julho e dezembro de 2024, revelou que Duda Lucena atuava como operacional de engajamento digital para a 'Aposta Ganha', empresa patrocinadora do São João de Caruaru (PE), base eleitoral da governadora. O s dados indicam que 35% dos comentários analisados terminavam com o símbolo roxo — coração lilás — associado à campanha da governadoria, evidenciando estruturação coordenada de narrativa favorável à administração estadual em plena vigência do calendário eleitoral municipal.
Antecedentes revelam que, apesar de negar vínculo direto com a casa de apostas, Duda mantinha ligação formal com a Prospect Eventos e Consultoria, empresa controlada por Alex Galindo, chefe de operações da 'Aposta Ganha', conforme registro na Receita Federal. O grupo 'engajamento', criado em agosto de 2024 com participação confirmada de duas testemunhas, operava sob orientações específicas sobre linguagem visual e discursiva, incluindo o uso recorrente do coração roxo como marca identitária da governadora.
35% dos 86 comentários analisados terminavam com o símbolo roxo da governadora, caracterizando campanha coordenada em redes sociais
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Institucionais
A Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público Eleitoral foram acionados pela denúncia de uso abusivo de recursos empresariais para fins políticos, com base no artigo 41 da Lei nº 9.504/1997, que tipifica propaganda eleitoral ilícita mediante financiamento indireto. A 'Aposta Ganha' nega qualquer ligação com campanhas políticas, afirmando que os pagamentos a Duda Lucena obedeciam a contratos civis comuns pela prestação de serviços jurídicos e assessoria estratégica.
Especialistas em direito administrativo apontam que a prática pode configurar abuso de poder econômico se comprovado vínculo direto entre recursos da empresa e intensidade da ação política, sujeitando a entidade a multa administrativa e responsabilização criminal dos gestores envolvidos. O caso segue em análise sob sigilo processual, com decisão final pendente no TSE ou na Justiça Estadual.



