No domingo, 20 de setembro de 2024, durante o desfile do enredo "Sonhar com Rei Dá Leão", a cantora Anitta foi oficialmente coroada como rainha de bateria da Grande Rio, consolidando sua posição de destaque no Carnaval brasileiro; a entrega da coroa ocorreu sob a autoridade simbólica de Eloína dos Leopardos, artista transformista de 80 anos e figura histórica reconhecida por sua contribuição à revolução identitária no samba, ao lado de seu legado iniciado na Beija-Flor de Nilópolis nos anos 1970.
Contexto Histórico e Legado da Trayetória de Eloína dos Leopardos
A coroação aconteceu em um momento histórico para a Grande Rio, que conquistou seu terceiro título consecutivo no Carnaval de 2024, consolidando o sucesso do desfile do enredo Sonhar com Rei Dá Leão\); Eloína dos Leopardos, nascida em 1945 e com trajetória marcada pela resistência identitária desde os anos 1970, assumiu o papel simbólico de entregadora da coroa após trajetória marcante à frente da bateria da Beija-Flor entre 1976 e 1978, quando integrou pela primeira vez uma escola de samba como artista travesti em posição de destaque, sendo reconhecida pela própria agremiação como a primeira rainha de bateria transgênero da história do Carnaval brasileiro.
Além do reconhecimento institucional, Eloína construiu uma carreira multifacetada como atriz, coreógrafa e produtora, tendo participado do espetáculo Divinas Divas e criado a Noite dos Leopardos na década de 1980, obra que desafiou normas sociais ao celebrar a nudez masculina e a sensualidade em um contexto cultural conservador no Rio de Janeiro.
Eloína dos Leopardos é a primeira mulher transgênero a ocupar o posto simbólico de rainha de bateria na história do Carnaval brasileiro.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras para o Carnaval
A cerimônia gerou celebrações por parte da comunidade LGBTQIA+ e reconhecimento institucional da Beija-Flor, que destacou na nota oficial sua contribuição para a visibilidade trans no Carnaval; autoridades municipais e representantes do Ministério da Cultura ainda não se manifestaram formalmente sobre o impacto simbólico do fato no cenário nacional.
Especialistas apontam que o acontecimento reforça a tendência de democratização das narrativas tradicionais do samba, com possíveis reflexos em editais de apoio cultural e políticas públicas de inclusão; ainda assim, desafios permanecem quanto à representatividade efetiva dentro das estruturas hierárquicas das escolas de samba.



