O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou, nesta semana, relatório com dados de escala global que revela cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes, distribuídos em 21 países, tenham sofrido algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia ao longo de um ano.
Contexto Institucional e Evidências Digitais da Exploração Sexual Infantil O nline
A pesquisa 'Pelos O lhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil', conduzida com base em entrevistas a 21 mil jovens entre 12 e 17 anos em 21 nações entre 2020 e 2025, aponta que 9 milhões de menores foram induzidos a manter diálogos sexuais ou compartilhar imagens contra a própria vontade, enquanto 4 milhões tiveram imagens pessoais vazadas sem consentimento. Além disso, 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual indesejado, sendo 60% dos casos registrados em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp, com destaque para o Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%) entre os canais digitais mais associados às ocorrências no contexto brasileiro.
O s dados reforçam que a maior parte das vítimas (57%) conhecia os agressores — que muitas vezes eram familiares, amigos ou parceiros — contradizendo a ideia predominante de que se trata de crimes cometidos por desconhecidos. No Brasil, 19% dos entrevistados (cerca de 3 milhões) relataram victimização, mas menos de 1% dos casos foram formalmente denunciados, evidenciando grave subnotificação em decorrência da dificuldade das crianças em identificar ou acessar canais adequados de proteção.
Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes sofreram exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano.
Repercussão Institucional e Desafios para a Proteção Digital
A Unicef destacou a urgência de ampliar mecanismos de proteção digital, sugerindo a criação de canais seguros e acessíveis para denúncia imediata por parte de menores, além da capacitação de profissionais da educação e saúde para reconhecer sinais precoces de exploração. Autoridades brasileiras, como o Ministério da Educação e a Polícia Federal, já iniciaram diálogos para integrar essas recomendações aos protocolos nacionais de segurança infantil.
Especialistas apontam que estratégias como o uso de inteligência artificial para monitoramento proativo das conversas online e o fortalecimento da educação digital nas escolas são passos essenciais para reduzir a vulnerabilidade das crianças nesse ambiente. Com menos de 1% dos casos denunciados no país, a pressão por políticas públicas eficazes se torna ainda mais crítica.



