A retomada do controle do Congresso pelos democratas impõe novos limites à condução da política externa de Donald Trump. Embora o presidente mantenha a responsabilidade pela política externa e o comando das Forças Armadas, ele terá que negociar com um Legislativo controlado pela oposição, menos disposto a respaldar sua administração.
Entre os principais pontos de tensão estão a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro de 2026, o apoio militar a Israel e à Ucrânia, e a pressão sobre países da América Latina. Os democratas poderão convocar autoridades para esclarecimentos e pressionar por maior transparência sobre custos e objetivos militares.
O controle do orçamento federal permite que o Congresso condicione a liberação de recursos destinados à defesa. Segundo Leo Braga, professor do Mackenzie Rio, se o Legislativo limitar o orçamento de defesa, não haverá recursos financeiros para produzir mísseis, enviar tropas ou abastecer frotas.
A professora Fernanda Medeiros, do CEUB, afirma que a condução da política externa é prerrogativa do Executivo, mas que o Legislativo pode acompanhar e cobrar. Ela destaca a possibilidade de investigações sobre o tarifaço, interferências políticas em outros países e a guerra contra o Irã.
No caso da Ucrânia, a nova configuração pode aumentar a pressão para que Trump mantenha o apoio militar e financeiro a Kiev e as sanções contra Moscou. Braga acredita que isso pode melhorar as condições de negociação para os ucranianos ao dificultar a redução dos recursos destinados à defesa do país.
Para o Brasil, não há expectativa de transformação imediata na relação bilateral. No entanto, Braga avalia que Brasília pode ganhar poder de barganha diplomática diante de um presidente norte-americano que terá apenas dois anos restantes de mandato a partir de 2027.
