O geofísico e divulgador científico Sérgio Sacani apresentou no Metrópoles Talks, realizado no Museu Nacional da República em Brasília na última quinta-feira (29), os motivos econômicos por trás do interesse de potências pela exploração lunar. Segundo ele, Estados Unidos e China não visam apenas o prestígio científico, mas sim a extração de terras raras e hélio-3, recursos considerados estratégicos para a indústria e para a produção futura de energia limpa por fusão nuclear. A palestra foi acompanhada pela correspondente do Estado do Pará On-Line em Brasília, Lorena Brandão.
Sacani apontou que a produção de terras raras na Terra gera grande quantidade de resíduos tóxicos, enquanto na Lua não haveria preocupação ambiental equivalente devido à ausência de atmosfera. O hélio-3, escasso no planeta Terra e mais abundante no satélite, é estudado como combustível para fusão nuclear, embora a tecnologia ainda seja experimental. O Brasil assinou os Acordos Artemis da NASA em 2021 e desenvolve iniciativas como o satélite SelenITA, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e pesquisas da Embrapa com cultivo de grão-de-bico e batata-doce em ambientes fechados para bases lunares.


