A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana nesta quinta-feira (5). A votação ocorre em um momento de forte instabilidade política no país, após a renúncia do presidente Santiago Peña, desencadeada pelo fechamento do banco Ueno.
A crise teve início na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou a liquidação da instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, após identificar um déficit de solvência ligado a empréstimos para empresas vinculadas. O banco contava com cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Santiago Peña, economista que assumiu a presidência em 2023, foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2023 e enfrentou acusações da oposição de conflito de interesses e manipulação regulatória. Durante a sessão, a deputada Rocío Vallejo criticou duramente o presidente, afirmando que ele prejudicou milhões de pessoas em um único dia.
Pedro Alliana, de 52 anos, possui vasta experiência política, tendo sido governador do departamento de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e deputado entre 2013 e 2023. Ele também presidiu a Câmara dos Deputados e liderou o Partido Colorado por oito anos, acumulando atualmente funções relacionadas à política externa do Paraguai.
Diante do cenário, Peña declarou nas redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça sem exceções. Ele também promulgou uma lei para permitir que os poupadores do Ueno recuperem seus valores em menos tempo e pediu que setores políticos priorizem o interesse dos cidadãos.



