Na manhã de sexta-feira (25/9), agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto de Pesquisas Ambientais do Distrito Federal (Ibram), Terracap e Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) realizaram operação conjunta para interditar área de grilagem na Serrinha do Paranoá, onde foram apreendidos um contêiner, três tratores e um caminhão carregado com madeira, numa região estimada em mais de 200 hectares.
Contexto Institucional e Procedimentos da O peração Ambiental
A ação ocorreu em área pública pertencente ao ICMBio, identificada como objeto de grilagem e desmatamento ilegal por terceiros, segundo laudo técnico preliminar das equipes envolvidas. Durante a fiscalização, foram constatadas estruturas já instaladas, incluindo contêiner e edificações provisórias, além da atuação de maquinários agrícolas que indiciavam atividades de extração e ocupação irregular do solo. O s agentes realizaram vistoria técnica com apoio da PMDF, coletando evidências fotográficas e documentais para sustentar o inquérito policial instaurado na 6ª Delegacia de Polícia da região administrativa do Paranoá.
Antecedentes revelam que o mesmo local já havia sido foco de investigação pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) em 2010, quando o ex-deputado distrital Pedro Passos foi condenado por parcelamento irregular de terras, caso que contou com escutas telefônicas que evidenciaram participação de Vinicio Jadiscke Tasso em conluio com Márcio Passos e Salomão Szervinski para negociação fraudulenta de terrenos públicos. Até o momento, cinco pessoas foram ouvidas na delegacia, sendo dois agentes ambientais e três apreendidos, entre eles Vinicio Jadiscke Tasso, 72 anos, que alegou possuir documentos e sentença judicial que reconheceria seu direito de posse sobre o terreno.
Mais de 200 hectares de área pública degradada foram interditados durante operação que apreendeu contêiner, três tratores e caminhão com madeira.
Repercussão Legal e Desdobramentos Administrativos
A Terracap formalizou posicionamento oficial afirmando que a área apreendida é de sua propriedade pública e que jamais autorizou as atividades de extração, ocupação ou construção realizadas pelos envolvidos, reforçando que não consta nos autos decisão judicial reconhecendo direito de posse ou propriedade em face da instituição. O órgão informou que as ações legais serão intensificadas para responsabilizar todos os participantes da grilagem, incluindo a identificação dos proprietários reais por meio de cruzamento documental e perícia técnica.
A apuração seguirá com análise das documentações apresentadas por Vinicio Jadiscke Tasso para comprovar titularidade ou posse legítima sobre o solo, enquanto a Justiça deve avaliar a validade da suposta sentença judicial mencionada. Paralelamente, a fiscalização ambiental prevê a elaboração de laudo pericial sobre a espécie da madeira apreendida, quantidade estimada e rastreabilidade do transporte, conforme determina normativa do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).



