Neste sábado (29/8), às 9h30, o Conservatório UFMG, situado na rua Guajajaras, 100, no Centro de Belo Horizonte, acolhe o seminário que culmina o projeto 'Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação e Memória em Belo Horizonte', iniciativa de seis meses que mapeou saberes ancestrais de mulheres negras em 10 comunidades periféricas e vulneráveis da capital mineira, com apoio da Fundação Banco do Brasil por meio do edital 'Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras'.
Contexto Institucional e Histórico da Iniciativa
A AIC – Agência de Iniciativas Cidadãs coordenou a pesquisa e o mapeamento de saberes ancestrais realizada entre fevereiro e julho, sob a coordenação de Cláudia Magno, com a participação de representantes de dez grupos e comunidades tradicionais de mulheres negras em áreas periféricas e de elevada vulnerabilidade social de Belo Horizonte; o projeto, desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil, objetivou sistematizar práticas culturais transmitidas oralmente ao longo de gerações, documentando, entre outros saberes, o papel central das mulheres congadeiras na preservação do Congado e a atuação pedagógica no Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango, localizado em Santa Efigênia, região leste da cidade.
O Núcleo de Formação e Memória de BH reuniu ao longo dos seis meses cinco encontros presenciais de capacitação e ofereceu aulas virtuais sobre escrita de projetos e formalização documental para os grupos participantes, totalizando uma estrutura que integrou pesquisa qualitativa aprofundada com processos de empoderamento coletivo e fortalecimento institucional das iniciativas culturais negras.
O mapeamento revelou que as mulheres negras atuaram como principais guardiãs da memória cultural e da organização ritualística do Congado em Belo Horizonte, mesmo quando as guardas permitiam apenas a participação masculina.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
A coordenação da AIC destacou que o reconhecimento formal dos saberes ancestrais representa um passo relevante para a garantia de direitos culturais e para a valorização da contribuição histórica das mulheres negras na construção da identidade mineira, reforçando a necessidade de políticas públicas que integrem tradições afro-brasileiras aos sistemas educacionais e de preservação patrimonial.
Com base no edital da Fundação Banco do Brasil, o projeto configurou-se como experiência modelo de empoderamento socioeconômico das mulheres negras, cujos resultados deverão subsidiar futuras linhas de financiamento do edital 'Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras', com possíveis expansões para outras cidades mineiras e para a criação de um observatório permanente da memória afro-brasileira em BH.



