Em setembro, o Vietnã consolidou-se como principal origem de importações de aços planos no Brasil, superando a China com 176 mil toneladas, enquanto as importações chinesas recuaram para 25 mil, segundo dados do Inda. A mudança reflete a intensificação das pressões sobre os fluxos de matéria-prima diante da queda da Selic e da necessidade de proteger a indústria nacional.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A análise dos registros do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) revelou que, em setembro, 266 mil toneladas de aços planos foram importadas pelo Brasil, das quais 176 mil provinham do Vietnã, contra 25 mil do país asiático no mês anterior. Esse salto ocorreu após a aplicação de medidas antidumping iniciadas em 2024 contra a China, que reduziram drasticamente seu volume no mercado brasileiro e permitiram ao Vietnã ocupar espaço antes ocupado por Pequim. O presidente do Inda, Carlos Loureiro, destacou que os importadores têm se articulado em redes para garantir fluxo constante de matéria-prima, sinalizando uma nova dinâmica nas relações comerciais.
Nos primeiros nove meses do ano, a China mantém liderança com 40,5% de participação (933,46 mil toneladas), enquanto o Vietnã responde por 20,4% (470,2 mil toneladas), indicando que, embora o crescimento mensal seja recente, o volume anual ainda reflete a hegemonia chinesa. O presidente do Inda ressaltou que as medidas antidumping contra o Vietnã têm prazo de até um ano e meio para gerar resultados efetivos e que a taxa Selic de 13,75% compromete investimentos produtivos, exigindo prioridade na redução dos juros após o pleito eleitoral.
O Vietnã importou 176 mil toneladas de aços planos no Brasil em setembro, superando em sete vezes o volume chinês registrado no mesmo mês.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
O presidente do Inda, Carlos Loureiro, afirmou que medidas antidumping contra o Vietnã têm prazo de um ano e meio para produzir resultado efetivo e que a alta taxa Selic impede investimentos produtivos nas usinas siderúrgicas nacionais. Ele defendeu a necessidade urgente de acelerar a queda dos juros após a votação presidencial para restaurar a confiança em investimentos no setor. A expectativa é de estabilidade nas vendas para outubro, mas a indústria ainda enfrenta desafios para reajustar preços devido à sazonalidade fraca e à concorrência importada.
Segundo Loureiro, o principal desafio para quem vencer as eleições será implementar políticas capazes de reduzir rapidamente a taxa Selic, considerada impeditiva para qualquer investimento. A entidade projeta estabilidade nas vendas para outubro e reconhece que as usinas nacionais ainda não conseguem elevar preços até o final do ano devido ao cenário macroeconômico adverso.
13,75% (da Selic) é impeditiva para qualquer investimento.



