O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, definiu para a sessão de 8 de outubro a apreciação no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do processo administrativo que envolve a advogada Karina Nunes Marques, irmã do ministro Kassio Nunes Marques, com pedido de pauta formalizado pela conselheira Jaceguara Dantas e cujo valor financeiro da controvérsia ultrapassa R$ 1 bilhão, após nove meses de paralisação que gerou intenso debate sobre os critérios de distribuição e efetividade dos procedimentos disciplinares da magistratura superior.
Contexto Institucional e Procedimental do Processo no CNJ
A decisão do presidente do Supremo, que acumula o cargo de presidente do CNJ, ocorre em um contexto de profunda crise institucional marcada pela devolução tardia de um pedido de providências ao plenário após nove meses de interregno, fato que evidenciou vulnerabilidades estruturais na gestão de processos disciplinares entre os conselheiros e a Corregedoria, órgão responsável por 89% dos casos de conduta judicial apurados pelo Conselho, conforme dados oficiais divulgados em relatório técnico do próprio CNJ em fevereiro de 2025.
O processo em questão, originado de uma ação movida em 2022 na Justiça Federal do Distrito Federal por Walter Faria contra sócios em disputas empresariais, passou por suposta manipulação na distribuição para a Vara do juiz Itagiba Catta Preta, conforme constatação da Corte Especial Administrativa do TRF-1, órgão vinculado ao Conselho Superior da Magistratura, que constatou indícios claros de 'forum shopping' e 'manipulação' na tramitação, embora o MPF tenha optado por não instigar abertura de PAD naquele momento.
Processo administrativo que pode suspender o juiz Itagiba Catta Preta por até três meses sem remuneração após alegações de fraude processual e foro shopping persistentes durante mais de dois anos.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Estratégicos
A defesa de Karina Nunes Marques nega qualquer influência indevida sobre o trâmite processual, afirmando que suas atos como advogada foram técnicos e independentes, enquanto o Ministério Público Federal reiterou sua denúncia ao CNJ em novembro de 2025 com base em indícios robustos de conduta irregulares por parte do magistrado Itagiba Catta Preta, que teria omitido-se por mais de 1 ano e 8 meses em análise sobre alegações de incompetência e fraude processual.
A expectativa institucional é que o julgamento no plenário do CNJ em outubro defina não apenas o destino disciplinar do magistrado, mas também estabeleça precedentes sobre os limites éticos na distribuição de processos nos tribunais superiores, especialmente diante da crescente pressão para reformas estruturais na máquina da Justiça brasileira.



